Ao lado do fogo não se mexe com pólvora
O convite oficial do PSDB para uma composição com o PDT para a disputa ao governo do Estado deixa o deputado maringaense Enio Verri (PT) no fio da navalha.
Enio foi elevado à condição de condutor do processo sucessório para o PT no Estado pela afinidade com o ministro Paulo Bernardo e, por fidelidade, defende a candidatura de Gleisi Hoffmann, esposa do ministro, na busca da vaga ao Senado.
Uma batalha justa e possível, dentro do espectro de importância desenhado pelo partido para sua disposição tática no jogo de forças da política nacional, Já dissemos neste espaço a hierarquia de interesses petistas: Presidência da República, Senado, Câmara Federal, governos estaduais, prefeituras das grandes cidades, Assembleias Legislativas, prefeituras menores e vereadores. Pela ordem.
Ora, uma vaga possível ao Senado vale mais, na conta cartesiana do pessoal do Campo Majoritário, segmento petista que domina o partido, do que um governador. Vice, então, é troco.
O caso paranaense, todavia, subverte o raciocínio pela importância deste colégio eleitoral e o apertado do cenário que poder vir a reintegrar a PSDB no Planalto.
E no centro do fogareiro, Enio manipula a pólvora para a batalha.
Olha ele aí
Em carta à coluna, o ex-prefeito de Mandaguaçu, o petista Rômulo Ceccon, aponta o dedo para aquilo que entende ser o vinagre que azeda a relação entre o PT e o PDT: o deputado Ricardo Barros (PP).
Para Ceccon, é a ligação de Osmar Dias com Barros que emperra a aproximação dos grupos e inibe a tão sonhada chapa-palanque de Dilma. Barros quer ser senador e, para ele, Gleisi é a pedra no caminho. Tem muita razão o petista. Mas não exclusiva.
Osmar quer mesmo a indicação para o PP. E quer o PPS, o PTB e quem mais puder atrair para o grupo para poder enfrentar Beto Richa nas urnas.
E precisa mesmo unir todas as forças que conseguir, porque o simples olhar sobre os movimentos do provável adversário é suficiente para deixá-lo cofiando a barba grisalha. Beto, por onde passa, arrasta uma multidão de autoridades, correligionários, interesseiros e curiosos em geral, marca de uma candidatura vitoriosa.
E o temor mais agudo de Osmar é ver a composição da sua chapa formada e assistir a militância petista abandoná-lo para cuidar da eleição de Gleisi.
Este é o nó.
Tudo ou nada
O funil aperta e Osmar tem um convite formal de Beto para juntar armas e matar esta eleição no primeiro turno. Com a rebarba para o PT disputar com Requião e ainda com chance de, num ambiente com quatro candidatos, ver Barros ameaçando os adversários.
Ora, numa amarra dessas, o que sobra para o PT? Osmar vai jogar na mesa de Lula a proposta de Beto.
E será na marra: com Gleisi na vice, tem jogo. Sem ela, a brincadeira acaba aqui. Nestas circunstâncias, ou o PT vai solteiro para a disputa ou se associa ao PMDB. Nos dois casos, é campanha para perder. E ainda há quem fale em ter Gleisi como vice de Pessuti.
Ora, se com Pessuti dá, porque não dá com Osmar?
Caprino
É por isso tudo que o presidente da sigla agora marcha sobre o fio da navalha. Uma empinada na carroça de Osmar (e ele tem demonstrado uma paciência que quem o conhece de perto sabe que não tem) indica um fracasso fulminante para o PT. Não apenas no Estado, mas com reflexos importantes no resultado da eleição presidencial.
E o partido não é dado a assimilar muito bem as derrotas. Historicamente se ocupa mais em procurar culpados do que encontrar soluções.
E com esse histórico, o candidato a bode expiatório já tem nome.
Isqueiro
O momento é de muita cautela. Perder o acesso ao governo do Estado e ainda com o risco real de ver o PSDB voltar a dar as cartas em Brasília, além de sair chamuscado dentro do partido que hoje preside pode ser fatal para as pretensões políticas de Enio. E no momento em que mais se espera serenidade, o que se vê é gente interessada em queimar pavio.












