O Diário do Norte do Paraná
http://www.odiariomaringa.com.br/milton - Acessado em: 26/07/2008 às 20:11:01

Sábado, 26 de Julho 2008
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As melhores sementes

É impossível promover educação de qualidade com salários baixos para os professores. A questão é fundamental nesse momento em que os candidatos a prefeito de Maringá apresentam nesse Diário suas propostas para o setor, dentro da série "Maringá em Debate".

É consenso de que uma sociedade só melhora quando investe na formação da sua população. Ou, como já dissemos aqui: não importa muito qual seja a pergunta, a resposta é e sempre será "investir em educação".

Mesmo assim, há um enorme descompasso entre a compreensão dessa necessidade e sua aplicação na prática. Isso porque a sentença "investir em educação" é ampla demais.

Desde que a Constituição de 1988 obrigou os municípios a destinarem 25% de suas receitas para a educação, os gestores públicos têm se desdobrado para ampliar as definições do que seja "educação".

A tradução mais corrente do termo para esses administradores têm sido a construção de novas salas de aula. Ou através de reformas e ampliações das unidades existentes, ou construção de novas.

Em Maringá, chegamos a um curioso fenômeno: há salas de aula ociosas na rede pública (que congrega aquelas de responsabilidade do município e do Estado).


Marketing

Há quem entenda, ainda, que investimento em educação é comprar vans para transportar alunos (e professores) de um lado do município para outro. E o combustível, junto. Há laboratórios de informática que já se tornaram sucateados pela evolução tecnológica, sem que um aluno sequer tenha tido acesso aos computadores.

Enfim, a predileção dos gestores é investir naquilo que é material, que pode ser visto, tocado e - principalmente - fotografado e filmado, para aparecer nas propagandas de prestação de contas.


É pouco

O investimento que interessa - que é a ponta do serviço, o professor - esse fica sempre para depois. A instituição de um piso mínimo para a categoria, sancionado pelo presidente Lula esse mês, é um primeiro passo para trazer para os trilhos certos esses desvios de interpretação. Mas os R$ 950 fixados naquele piso ainda significam muito pouco para a construção de uma sociedade crítica e participativa. É preciso muito mais para se construir o ambiente necessário para a grande "revolução doce", de que falava Cristóvam Buarque.


Adubo

Vivemos em uma cidade de vocação para o agronegócio. Para ninguém, aqui, é exótica a máxima de que, para uma boa colheita, se escolhem as melhores sementes para plantar.

Só vamos conseguir atrair para o magistério as melhores cabeças - e mantê-las em atividade - se nos dispusermos a remunerar adequadamente esses profissionais. Qualquer coisa fora disso é conversa de candidato.


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