O Google dos sebos
Site tem 652 sebos cadastrados em todo o País com mais de 1,3 milhão de títulos e 90 mil leitores cadastrados; Maringá participa com dois sebos e 1.200 leitores
Para aqueles que, muito além de ler livros emprestados de bibliotecas, prefere tê-los em casa para ler assim que tiver vontade, uma nova opção de compra se configura com o crescente avanço da internet. Desde outubro de 2005 existe na rede mundial de computadores o Estante Virtual (www.estantevirtual.com.br), portal que pretende disponibilizar os acervos de sebos do país inteiro.
A idéia do portal foi do carioca e administrador de empresas André Garcia, 29, que trabalhava com marketing para uma empresa de telefonia móvel. Interessado em mudar de área, tentou a carreira acadêmica e precisou buscar livros para se preparar. "Fui procurar em sebos e a fórmula do gastar sola de sapato foi inviável para mim. Nunca me adaptei. Os livreiros não achavam os livros, alguns nem conheciam os autores. Tive a sensação de procurar uma agulha no palheiro", conta. Quando resolveu procurar na internet, se surpreendeu com os vários endereços que não disponibilizavam acervos. Aí percebeu uma brecha no mercado em que poderia atuar.
"Eu tinha um conhecimento rudimentar em programação, mas sabia que iria custar muito caro buscar esse serviço fora. Para quem já tinha lido mais de cem livros para entrar no mestrado, ler uns 30 livros sobre isso seria fichinha", brinca. Um mês de estudo durante doze horas por dia foram suficientes para capacitá-lo a criar o site e complementar a renda.
Depois de uma extensa pesquisa, a estréia tinha apenas 12 sebos e menos de cinco mil exemplares. Em pouco mais de um ano, já são 652 sebos cadastrados, de 136 cidades em 19 Estados, totalizando mais de 1,3 milhão de títulos. Por isso o slogan do portal é justamente "a revolução da busca por livros".
A micro-empresa já tem seis funcionários e Garcia já tem planos para o futuro. "Estamos tentando uma parceria com editoras. Muitas pessoas têm na cabeça que os sebos são lugares cheios de livros velhos amontoados. Os sebos não são mais assim, há até mesmo livros novos". Segundo ele, as livrarias nem sempre conseguem escoar todos os seus exemplares e acabam vendendo livros novos como ponta de estoque para os sebos, não porque os livros sejam ruins, mas porque não existe espaço físico para eles no mercado. Ele acredita que uma das razões para a falta de leitura no País é o preço dos livros.
"A gente não quer ser só um portal de vendas, mas uma instituição de fomento de mercado", explica Gar cia.
Como funciona
Criando um login e uma senha, leitores de todo o mundo podem acessar gratuitamente as informações do endereço eletrônico. As pesquisas podem ser feitas por título, autor, editora, cidade, sebo ou estante (temas). É possível também ver os últimos livros pesquisados, a quantidade de buscas diárias, os últimos leitores ou livreiros conectados, além de receber informações atualizadas sobre o site.
Não só livrarias e sebos podem disponibilizar material para a venda. Também os leitores cadastrados podem incluir até cem livros, sem pagar nada por isso. Já são 90 mil leitores cadastrados, de todo o Brasil e do exterior. O site contabiliza cerca de 70 mil acessos diários, duas buscas por segundo, e já são conhecidos como "Google dos sebos".
São Paulo, seguido de Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná são os Estados campeões em sebos cadastrados. Maringá está na lista com dois: o Sebo e Restauradora Universitária e o Fonte do Livro, além de três "leitores livreiros" (já são mais de 1.200 no total).
"Eu uso mais para ter contato com outros sebos, procurar obras que os leitores não encontram aqui. Se as pessoas pedem algum livro que não tem, eu encontro no site, compro e revendo", explica Edilson Francisco de Oliveira, dono do Sebo Universitário. Ele optou por cadastrar os livros e revistas mais raros ou aqueles voltados para a história de Maringá, que não podem ser encontrados em outros sebos do país.
Claudinéia Basques Fernandes, do Sebo Cultura, participou durante cinco meses mas não se adaptou ao sistema. "É complicado fazer o cadastramento porque temos muito giro de material e um acervo de 70 mil itens em cada loja", diz. Mesmo assim, ela pretende estudar outra maneira de voltar, futuramente.
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