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http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/162447 - Acessado em: 04/07/2009 às 13:09:18


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Sábado, 04 de Julho 2009
D+  |  Temporada Universitária  | Atualizado Quinta-feira, 25/10/2007 às 20h22
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Ensaio sobre a lucidez

“Um adeus aos lúcidos”: espetáculo discute valores sociais, éticos e espirituais a partir do diálogo entre figuras que representam os lados da razão e da loucura

Obrigado por avaliar.

Thiago Alonso
alonso@odiariomaringa.com.br

 

Afinal, para que serve uma corda bamba se não for para cair dela? Talvez seja esta a pergunta implícita no espetáculo “Um adeus aos lúcidos”, que será apresentado a partir das 21 horas desta sexta-feira, no Instituto de Educação de Maringá.

A peça da Cia. Pró Arte, de Umuarama, faz parte da Temporada Universitária 2007 e é um verdadeiro elogio à loucura: dois personagens duelam no palco, refletindo as coisas do mundo. Um, que está certo, mas pensa que está errado; outro, que está errado, mas que pensa estar certo.

Confuso isso? Mas é para ser, mesmo.

No palco, montado como se fosse um quarto - de uma casa? de um hotel? de um hospício? -, um advogado lúcido e certo contracena com um louco e errado. Falam sobre a vida e discutem valores sociais, éticos, espirituais.

“Por que tenho de acreditar Nele?”, indaga o Louco, referindo-se a Cristo. Por quê? São questionamentos como este, os colocados em cena de forma leve e descontraída pelo texto escrito por Luiz Varini, que também dirige e atua na peça.

Varini interpreta o Louco, que contesta as verdades do Advogado, vivido por Márcio Thales.

O espetáculo foi escrito e encenado pela primeira vez em 1989, quando dois estudantes pediram a Varini um texto para ser apresentado em sala de aula. O projeto se ampliou e foi transferido para o palco.

Apesar de quase 20 anos terem se passado, as idéias ainda continuam atuais, acredita o autor. Uma prova dessa atualidade é que depois de anos com o espetáculo parado, voltaram com sucesso em 2005.

De lá para cá, foram mais de 100 apresentações em diversas cidades e festivais do Estado. “É um texto super atual, pois fala de valores dos quais as pessoas não têm como se livrar”, diz o autor.

De Sófocles a Nélson

A Cia. Pró Arte de Teatro foi fundada em Umuarama em 1989 e, desde então, montou 15 espetáculos, escritos pela companhia e de autores consagrados, como Bertolt Brecht, Samuel Beckett, Nélson Rodrigues e Jean Genet, com direito até ao clássico grego Sófocles.

A Pró Arte trabalha sempre com atores convidados em seu elenco e já conquistou 37 prêmios em festivais.

Em “Um adeus aos lúcidos”, o tema loucura é tratado como comédia, pois o Louco sempre debocha das colocações sérias impostas pelo Advogado.

Para Varini, é por este motivo que sempre acontece uma identificação entre platéia e personagem. No meio do espetáculo, os atores abrem um pequeno espaço para a participação de quem assiste.

“A linguagem é descontraída para que o espetáculo não fique pesado”, explica Varini. Leve, sim, mas com crítica.

“A crítica que a gente faz é em relação aos valores, que são criados pelos próprios homens. Porém, quem não se enquadra é taxado de louco, surgindo aí um conflito entre o indivíduo e o coletivo”, diz o autor.

Quem assiste, percebe esses questionamentos. “Quando o indivíduo não se encaixa, é isolado. Ou aceita tudo aquilo que é imposto ou passa a ser execrado pela sociedade”, reflete o autor, como se perguntasse: “De qual lado você está?” Pode deixar para responder depois de ver o espetáculo.

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