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http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/162558 - Acessado em: 04/07/2009 às 18:02:10


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Sábado, 04 de Julho 2009
D+  |  Temporada Universitária  | Atualizado Sexta-feira, 26/10/2007 às 20h07
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A vez das vozes

Coral da UEM apresenta-se neste sábado à noite no Teatro Oficina, dentro da Temporada Universitária. No programa, Caymmi, Vinícius, Lyra e músicas africanas e indígenas

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Thiago Alonso
alonso@odiariomaringa.com.br

 

Apresentar as origens do que hoje é conhecido como Música Popular Brasileira, a tal MPB, que engloba vários gêneros e ritmos distintos tocados por todo o Brasil.

É um pouco dessa gênese que o Coral da Universidade Estadual de Maringá (UEM) mostra neste sábado e domingo na Temporada Universitária 2007.

O show"Poutpourri de Música Brasileira" será apresentado neste sábado, no Teatro Oficina da UEM, a partir das 21h. No domingo, o palco será dividido com o grupo de dança Fogança.

Serão vinte vozes, entre acadêmicos, servidores e professores da universidade, fazendo um apanhado do que há de melhor na música brasileira.

Claro que estarão presentes clássicos como "Suíte dos pescadores", de Dorival Caymmi, e "Minha Namorada", de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra.

Mas o grande destaque aparece logo no início do show, com três canções africanas e três canções indígenas. É o momento do público entender um pouco da formação da música brasileira.

Em um show de 45 minutos e com cerca de 15 músicas, a abertura é com três cantos africanos, de tribos distintas.

"São cantos que não têm ligação entre si. Foram selecionados por  terem afinidade sonora. Tem um do folclore congolês, outro chamado de Tuê-Tuê, que é uma brincadeira de criança ,cheia de percussão corporal e estalos de dedos. O último canto se chama Senzenina e é o mais conhecido de todos, pois faz parte da trilha do filme O poder de um jovem [de 1992, com o ator norte-americano Morgan Freman]", explica Ana Lúcia Colodetti, atual coordenadora e regente do Coral, que existe desde 1973.

Em seguida serão apresentados os três cantos indígenas. Ana Lúcia comenta que este são mais simples que os outros, mas nem por isso a sonoridade é menos agradável.

"O primeiro a ser apresentado é um canto dos índios Kraôs, da região do Amazonas. Nesse canto, há uma mistura de vozes masculinas e femininas. Enquanto os homens sustentam as notas em boccachiusa, as mulheres fazem sons que remetem a barulhos da floresta, como se o público estivesse no meio da mata", conta a regente.

Ana Lúcia diz que na música indígena, o ritmo é muito marcante, enquanto as melodias são mais monótonas. Nem por isso são menos ricas, como em um dos cantos, no qual a variação dos andamentos mostra um crescendo que sugere a idéia de um ato sexual.

"Hoje, é raro ver apresentações de cantos indígenas", diz a regente.

Atualidade

Mas nem só de canções antigas será feito o show. Dessa origem da MPB há um salto para o gênero como o conhecemos hoje.

Para abrir o trecho com apresentações mais atuais, o coral canta "Suíte dos Pescadores", de Dorival Caymmi e "Pipoca Moderna", de Caetano Veloso.

O show continua com músicas como "Palco" de Gilberto Gil e "Codinome Beija-Flor", de Cazuza.

Todas as músicas do Coral da UEM são apresentadas, segundo Ana Lúcia, com uma grande preocupação cênica.

"Criamos essa movimentação para não nos limitarmos a ser um coro tradicional. Não cantamos com pastas nas mãos e usamos figurinos diferentes", destaca a coordenadora.

Ela exemplifica que em canções como "Marina", de Dorival Caymmi, colocam uma das cantoras para sambar enquanto um dos homens toca um pandeiro para servir de complemento às vozes.

"Colocamos alguns gestos sutis para que  fique algo além da música. No entanto, nos limitamos ao máximo, para ser apenas uma alusão, lembrando que não somos um grupo de teatro e sim de música", diz.

Outro espetáculo

No mesmo horário,  no Instituto de Educação, o grupo Fogança estará apresentando "Um Espetáculo Diferente", também pela Temporada Universitária 2007. A apresentação de dança busca resgatar elementos culturais brasileiros.

A coordenadora do grupo, Sueli Alves de Souza Lara, explica que conceberam o espetáculo após perceber que as pessoas ainda têm muita dificuldade de aceitar que são brasileiras. Para ela, a dança é diversão, mas também tem  reflexão.

"Toda peça é lazer, mas não podemos deixar de lado o agente transformador da arte, que faz as pessoas pensarem", diz ela.

Composto por 23 dançarinos e seis músicos, o Grupo Fogança vai apresentar música ao vivo para interpretar expressões culturais brasileiras, como moçambique, tambor de crioulo, samba de roda, coco, entre outros.

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