Chora, Viola
Orquestra Paranaense de Viola toca clássicos do instrumento e explica as diferenças entre caipira e sertanejo
A verdadeira música sertaneja e caipira - ou música de raiz, como resolveram chamar de uns tempos pra cá - ainda toca muito os corações, mesmo com as modernidades todas que vieram depois.
E Maringá acolhe todas apresentações do estilo, sempre lotando auditórios. Só este ano, passaram pela cidade grande ícones do gênero, como Almir Sater, Renato Teixeira e Pena Branca.
Para fechar o ciclo, a Orquestra Paranaense de Viola Caipira sobe nesta terça-feira ao palco do Auditório Luzamor, a partir das 20h30, para tocar clássicos caboclos. O show é promovido pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) para comemorar o Dia do Comerciário. A entrada é franca.
Quem foi ao Festival de Música da Cidade Canção (Femucic) deste ano, talvez se lembre da Orquestra, que se apresentou no Calil Haddad durante o festival.
Agora o show dura cerca de 1h30. No repertório, releituras de composições de gente como Renato Teixeira, Tonico e Tinoco, Almir Sater e Tião Carreiro e Pardinho. São 25 músicos com idades entre 10 e 65 anos, todos tocando viola caipira.
A Orquestra Paranaense de Viola Caipira surgiu em 2002 dentro da Fundação Assis Gurgacz (FAG), em Cascavel, com o objetivo de abrir espaço para a música de raiz, voltada para a cultura caipira.
A idéia nasceu de um projeto de conclusão do curso de Educação Física do hoje coordenador da orquestra, Crystian Fernandes. Ele começou a organizar um espaço onde os alunos da faculdade pudessem aprender um instrumento.
Quando se encontrou com o músico e pedagogo Ricardo Denchuski, que hoje é o regente do grupo, o sonho finalmente saiu do papel e decolou.
De lá para cá, foram apresentações em todo o Paraná, e os ponteados da viola foram mostrados até em Paris, em 2005, no ano do Brasil na França.
Para o coordenador do projeto, Crystian Fernandes, o sucesso não se deve apenas àqueles que sempre apreciaram a música caipira, mas também pela volta do gênero ao centro das atenções.
"Há cinco anos, havia poucos canais de televisão que davam espaço. Agora, quase todos têm um programa mostrando uma viola caipira", compara ele, relembrando o período em que a orquestra iniciou atividades.
Diferenças de estilo
Para Fernandes, o fato de a música sertaneja estar em voga até ajuda, mas são estilos completamente diferentes.
"O sertanejo pop que vemos hoje tem influência da country americano, quando, a partida da década de 70, duplas como Chitãozinho e Xororó começaram a introduzir instrumentos elétricos na música caipira. Já esta, é totalmente tocada de forma acústica, com viola", explica.
Fernandes ressalta que esse tipo de explicação também faz parte da apresentação.
"As pessoas ainda confundem a música caipira com o sertanejo. Nosso trabalho, além de cultivar o estilo, é explicar a diferença entre os dois, por isso nosso show é bastante interativo, contando com a participação do público, que pode perguntar, tirar suas dúvidas", diz ele, revelando um extenso trabalho de pesquisa sobre o gênero.
Então, se você tem dúvidas sobre a música de raiz, ess é uma oportunidade de perguntar. E de ouvir também.
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