Capitu em julgamento
Companhia do interior paulista apresenta adaptação do clássico "Dom Casmurro", de Machado de Assis, que inclui Capitu no banco dos réus
Capitu vai a julgamento nesta terça-feira. O tribunal será o Calil Haddad, palco nobre do teatro em Maringá. Um escolhido da platéia fará o papel de inquisidor enquanto outro será encarregado de defender a personagem de Machado de Assis da acusação de infidelidade.
O julgamento terá um desfecho imprevisível, mas que não tem sido costumeiramente favorável a Capitu.
"Na maioria dos casos, ela é condenada. A sociedade ainda é muito machista", diz o ator Daniel Neves, que interpreta Bentinho na peça "Dom Casmurro - O Julgamento", uma adaptação da obra de Machado de Assis dirigida por Rony Guilherme, da Mídia Produções Artísticas.
O espetáculo será apresentada em Maringá em uma única sessão às 20 horas, desta terça-feira.
Encenado pela companhia de São José do Rio Preto (SP), "Capitu" estreou em 2004 e recebeu o prêmio de Melhor Espetáculo da programação de 2006 do Teatro Municipal de Franca.
Não é o primeiro trabalho premiado da Mídia Produções Artísticas nos quinze anos de carreira do grupo. Além de ter trabalhado com atores consagrados, como Raul Cortez, Bibi Ferreira e Tônia Carreiro, a companhia recebeu prêmios no Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto de 2005.
Fidelidade à obra
Com exceção do julgamento com a participação do público no final da peça, a adaptação de Rony Guilherme promete ser bem fiel à trama e à obra de Machado de Assis.
"A intenção é manter o texto original, para que qualquer pessoa tenha o conhecimento da obra, mesmo quem não tiver lido", diz Neves.
"É uma adaptação bastante dinâmica, que permite muito humor na primeira parte, para depois Bentinho ir nutrindo sua desconfiança até o final trágico".
"Dom Casmurro" é uma das obras mais conhecidas de Machado de Assis e narra a vida de Bentinho e seu relacionamento com o grande amor de sua vida, Capitu, e a dúvida sobre a fidelidade da esposa, em um ciúme crescente da mulher em relação ao amigo Escobar.
Uma vida que passa da inocência da infância de Bentinho, para a alegria na juventude e, enfim, a amargura na velhice.
Uma amargura simbolizada pelo Casmurro e que culmina no julgamento de Capitu.
"O julgamento não é para saber se ela traiu, mas para discutir a obra de Machado, das pistas que ele deixou, incriminando ou não Capitu", diz Neves.
"O que mais preocupa o ator não é o julgamento, é que se trata de um livro muito famoso, um livro que para quem leu dá muita abertura para a imaginação e eles vão cobrar um resultado. Esse é o peso maior", diz o ator Daniel Neves.
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