O Diário do Norte do Paraná
http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/167557 - Acessado em: 04/07/2009 às 19:10:54


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Sábado, 04 de Julho 2009
D+  |  Exposição  | Atualizado Sexta-feira, 11/01/2008 às 18h32
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A arte que se inspira na dor

Nivaldo Tonon expõe no Avenida Center esculturas e quadros feitos em metal; bipolar e disléxico, maringaense conta, com bom humor, que a arte o ajuda a superar os problemas

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“A dor é a minha inspiração”. Assim o artista plástico Nivaldo Tonon explicou a O Diário como se dá o processo criativo que resulta em suas esculturas e quadros, que estão expostos desde quinta-feira no Shopping Avenida Center.

As peças, feitas de metal, podem figurar tanto em ambientes internos quanto externos, conforme o artista, que vive da arte há 30 anos. O material que serve de matéria-prima para a produção das obras é doado por empresários da cidade.

Segundo Tonon, as peças, mesmo expostas às intempéries, não correm o risco de ser danificadas. O artista diz que, pelo contrário, quanto mais exposta ao sol, mais bela fica a obra.

Aos 55 anos, com fala mansa e pausada, Tonon, que sofre de bipolaridade e dislexia, conta com bom humor que a arte o ajuda a superar os problemas.

“Estamos sujeitos a qualquer doença. O ser humano é vulnerável e não é eterno. É a arte que me recupera e me ajuda a recuperar outras pessoas, como uma laborterapia”, revela o artista.

Ele se refere aos companheiros da Associação Maringaense de Saúde Mental, onde faz tratamento e ensina arte a outras pessoas que integram a entidade.

Ele acredita que o trabalho está dando certo.

“Há cinco anos faço tratamento sério para a bipolaridade. É uma luta diária, porque não é uma questão emocional, de momento. Anos atrás, descobri que tinha um grau de irritabilidade altíssimo, que fazia com que a minha vida perdesse o controle. Foi a arte que me ajudou a controlar isso”, conta.

Ele acredita que a irritabilidade dele, hoje sob controle, é hereditária. Lembra vagamente do jeito da mãe.

“Num dia ela era a pessoa mais agradável do mundo, no outro a mais irritadiça. Quando me dei conta, descobri que tinha bipolaridade, a vida foi ficando difícil. Só não fui parar num sanatório por causa da arte.”

Com dificuldades de aprendizagem na infância por conta da dislexia, Tonon declara, entretanto, que o problema não o prejudicou.

“Tem gente que vê isso como uma limitação. Mas, pelo contrário. Uma pessoa que tem dislexia, é tão capaz quanto outra qualquer, de repente até mais inteligente. É nessa deficiência que a gente cresce”.

Além da Associação Maringaense de Saúde Mental, o artista plástico está firmando parceria com a Igreja Cristianismo Decidido, para ensinar a técnica a alcoólatras e dependentes químicos.

Maringaense, Tonon chegou a morar no Rio de Janeiro por oito anos, na década de 70, onde afirma ter lecionado na Sociedade Brasileira de Belas Artes e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Em Maringá, só realizou uma mostra de suas obras, nos anos 80.

“As pessoas que me conhecem na cidade não sabem dos meus problemas. Gostaria que a comunidade passasse por aqui para ver o que faço”.

De acordo com Tonon, o que ele mais espera é a companhia das pessoas. “Quero que venham aqui, conversem. A coisa mais chata é ficar sozinho, quieto, sem ter com quem conversar”, resume.

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