Suspensões preocupa candidatos
A decisão do governo de suspender, temporariamente, a realização de novos concursos da União - redução de despesas que prevê compensar as perdas com o fim da CPMF - preocupa estudantes que vinham se preparando para ingressar em cargos públicos federais. A medida, anunciada no início do ano pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, pode também trazer ônus para as instituições de ensino que preparam os chamados "concurseiros".
De acordo com projeções do advogado Aparecido Silva Machado, proprietário da Priori Curso, de Maringá, a medida adotada pelo governo, se prolongada por mais de um ano, pode causar a redução de até 25% do número de inscrições nesses cursinhos preparatórios. Para ele, essa situação é desconfortável, mas não chega a inviabilizar economicamente essas instituições. "De 2002 para 2003 dobraram as vagas e de lá para cá vinha se mantendo. Estávamos trabalhando com um excesso e agora apenas voltaremos ao antigo patamar", explicou.
Três estudantes, todos bacharéis em Direito, afirmam que largaram seus empregos para se preparar em tempo integral para concursos públicos que, agora, podem demorar a acontecer - situação que os deixa apreensivos. "Iria prestar o concurso para Polícia Rodoviária Federal, que foi cancelado. Continuo me preparando porque há rumores de uma nova prova em março", comentou Vanessa Peron Naldi, 28.
Colegas e, ao mesmo tempo, concorrentes de Vanessa, Josiane Aparecida Bonin, 27, e Andrey Müller Iark, 33, garantem que vão prosseguir estudando, mesmo que os concursos pretendidos demorem a acontecer. "A gente espera que, com esse adiamento, o concurso da Receita Federal saia no final do segundo semestre ou, pelo menos, até o início de 2009", disse Josiane. "Quero ser aprovado para delegado da Polícia Federal, mas é pouco provável que saia logo o concurso. Da parte do governo federal, os concursos devem mesmo ser adiados com o fim da CPMF", declarou Müller, que, como suas duas colegas, vai disputar também vagas ofertadas pelo Poder Judiciário.
No entanto, quem está inscrito para um concurso já anunciado no Diário da União pode ficar tranqüilo. O Ministério do Planejamento garante que, nesses casos, o edital de divulgação será cumprido. Isso inclui, por exemplo, os concursos da Controladoria Geral da União, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a seleção de novos professores para universidades e escolas técnicas federais. Concursos do Poder Judiciário, dos governos estadual e municipal e testes realizados com regularidade, como o da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), não sofrerão qualquer alteração.
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