FFF manda lembranças
Problemático na adolescência em Maringá, Fábio Fabrício Fabretti, o FFF, foi descobrir a vocação de escritor (e professor) no Rio, depois de passar por subempregos
Até os 20 anos, Fábio Fabrício Fabretti andava pelos cantos mais escuros de Maringá, dividindo-se entre a vida no underground como punk e uma realidade suburbana na Vila Morangueira - como ele mesmo define.
Hoje, aos 34 anos, ele vive sob o céu azul do Rio de Janeiro em uma carreira de escritor. Na capital carioca, o maringaense não abandonou o subterrâneo, mas conseguiu seu lugar ao sol, tendo vários trabalhos lançados, além de outros projetos engatilhados.
A formação em Maringá moldou uma personalidade problemática que se encontrou na arte. “Eu era um ‘adolescentezinho’ problemático”, revela o escritor.
Aos 20 anos, FFF resolveu fugir daqui para tentar outra vida. Queria a Bahia. O dinheiro deu para chegar no Rio. Lá, fincou raízes, entrando para a universidade, onde se formou em Letras.
“Cheguei no Rio de Janeiro pelas portas do fundo. Tive vários subempregos, mas sabia o que a cidade tinha a oferecer”, diz ele, que hoje é professor.
O trabalho que tirou FFF do submundo literário foi o livro “Cartas” (2003), reunião de correspondências do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu.
Fabretti trabalhou no projeto como assistente de Ítalo Moriconi, organizador do volume. Foi o maringaense quem descobriu a carta-chave que dá todo o sentido ao livro: justamente aquela em que Abreu revela que é portado do vírus HIV - que resultaria na morte dele em 1996.
“Este livro me deu muita credibilidade”, declara o escritor.
Mas ele não saiu do interior do Paraná para ficar apenas nisso. Tinha a obra dele para criar. Foi quando, em 2005, lançou o primeiro livro, batizado de “Sexo, drogas e tralalá”, escrito ao lado de Ana Paula Maia e Thiago Picchi.
Composto de microcontos, Thiago Picchi escreveu sobre sexo, Fábio Fabrício Fabretti sobre as drogas e Ana Paula Maia ficou com os tralalás. Fabretti, inclusive, esteve em Maringá na oportunidade para lançar a obra.
No ano passado, FFF chegou às livrarias com três lançamentos. O primeiro foi a antologia de microcontos “Folhas ao vento”, no qual o maringaense divide as páginas do livro com outros 36 novos autores.
Participa também de outra antologia, batizada de “O livro negro dos vampiros”, dedicadas à literatura gótica. É novamente o submundo voltando à tona no escritor. Ainda é onde ele se sente bem, avalia.
Em contraponto, FFF lançou também um livro infantil chamado “O mistério dos livros”, tendo como personagem uma menina inspirada na escritora Clarice Lispector. O escritor conta que tinha o livro pronto quando comentou isso com o editor. Ao ler, quis publicar.
A obra rendeu frutos inesperados ao autor. Em julho do ano passado, FFF foi convidado pelo Instituto Cria Brasil a passar uma temporada na Alemanha, onde também levou sua obra.
“Gostei de trabalhar no meio infantil. Ainda quero lançar muitas coisas nessa área”, ressalta o escritor.
Underground
Este é apenas um dos projetos dele para 2008. Este ano, FFF pretende lançar mais um volume dedicado ao público infantil. Outro livro que está no prelo é a história do underground do Rio de Janeiro pela ótica do estilista Marcelo de Gang, conhecido fora do circuito do Fashion Rio.
“Gosto de abordar assuntos que ninguém abordaria. Acho a decadência mais interessante; dar glamour aos decadentes”, comenta FFF, como um lema. O terceiro projeto é uma antologia dos poetas do bairro Peixoto, no Rio.
Enquanto os trabalhos não ficam prontos, Fábio Fabrício Fabretti transita entre mundos paralelos que se completam: a literatura gótica e a infantil, o Rio de Janeiro cosmopolita e a Maringá provinciana, entre o sol da praia de Copacabana e a noite do submundo.
“O underground tomou ácido e foi para a praia dançar numa rave. Colocou óculos escuros, bermuda e agora está no sol”, resume o maringaense que agora tenta se encontrar no Rio de Janeiro.
Mais informações sobre o escritor na página dele na internet.
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