O Diário do Norte do Paraná
http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/169221 - Acessado em: 20/03/2010 às 7:16:59

Cidades  |  Urbanização  | Criado 07/02/2008 22h17
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Obras no Santa Felicidade vão mexer com 82 terrenos

Ampliação das ruas e construção de nova galeria de esgoto vão exigir a demolição de um terço das casas; entre os moradores, dúvidas e desinformação sobre a execução do projeto

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Prefeito concedeu entrevista à Cultura AM nesta quinta

As obras de revitalização do Conjunto Santa Felicidade, que vão ser realizadas em Maringá com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), vão exigir a demolição de casas construídas em 82 terrenos, dos cerca de 250 existentes no bairro. A medida é necessária, segundo a Prefeitura de Maringá, para possibilitar a ampliação das ruas e a construção de novas galerias de esgoto, o que deve beneficiar os moradores que vão permanecer no local.

O projeto, segundo o prefeito Silvio Barros (PP), já foi iniciado, com a construção de casas em outros pontos da cidade. Na segunda etapa do projeto, aponta Silvio, vão ser iniciadas as obras de infra-estrutura, como a construção de um salão comunitário e de uma creche, além da revitalização da Praça Zumbi dos Palmares.

O prefeito afirmou que só na terceira etapa, quando todas as famílias moradoras dos 82 terrenos que precisam ser desocupados tiverem sido transferidas para as casas novas, é que serão realizadas as obras no bairro. Os terrenos que precisam ser desocupados para a execução do projeto já foram delimitados pela prefeitura e os moradores destas áreas, notificados.

Uma destas pessoas é o proprietário de um pequeno restaurante no bairro, Anderson Francisco, que diz estar preocupado. "Hoje tenho uma casa numa rua comercial. Se sair, vou ganhar uma casa em rua comercial também? Prefiro que deixe tudo como hoje, porque está bom demais."
No Conjunto Santa Felicidade, os moradores estão divididos sobre a revitalização e, entre os que não concordam ou desconhecem o projeto, o clima é de apreensão. Muitos temem ser prejudicados com as mudanças e com a possibilidade de ser transferidos para locais afastados.

Os boatos e a desinformação sobre o projeto colaboram para aumentar a tensão. O motoboy Emerson Rodrigues da Silva afirma que o bairro está dividido e que não sabe em quem acreditar. "Uns falam que, se sair todo mundo, vão demolir tudo. Outros, que vão retirar dois metros da frente da casa para ampliar a rua e a pessoa ganha uma parte do terreno vizinho. Tem quem acredita e também quem não acredita. Não sei o que vai acontecer", conta.

Funcionário de um abatedouro de frangos, André Rodrigues mora no local desde os sete anos e lembra que, quando foi transferido para o Santa Felicidade com os pais, há 20 anos, eles sofreram bastante. "Tinha as lagoas de um frigorífico que exalavam um mau cheiro e tínhamos que atravessar uma ponte de madeira velha para chegar aqui. Hoje não quero sair daqui, mas concordaria com a realização de melhorias", afirma.

Outra moradora do bairro, Laura Fertonandi Dias, 68 anos, conta que iria começar uma reforma, mas foi aconselhada a esperar. "Quero arrumar a casa e fazer a calçada. Se não ficar, vou fazer o quê?", pergunta. A diarista Beti Felix, que mora com 4 filhos, foi informada de que a casa onde vive é uma das que precisam ser demolidas. Beti vive no Santa Felicidade desde 1987 e relata que os piores momentos do bairro já passaram. "Tinha muito bandido e tínhamos que correr para dentro de casa. Hoje está mais tranqüilo. Por que vão mexer com a gente agora?"

Membro da organização não-governamental (ONG) Justiça e Paz, que atua a favor de vítimas de violência, Luciane dos Santos relata que a organização tem trabalhado para evitar que os moradores sejam prejudicados com as obras. "Queremos ver o projeto, que até agora não foi apresentado. Queremos que dêem casa a quem não tem, e não que tirem os moradores", aponta.

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Renato
08/02/2008 às 00:14
Acho complicado alguém, com casa arrumada e reformada, com mais de 100 metros quadrados de área construída, que mora há mais de 20 anos no bairro, querer trocar por uma casa popular de 40 metros quadrados. Será que a prefeitura não vê isso? Depois se alguém entrar com uma ação judicial, todos pagaremos pelos erros do prefeito.
Fernando Martins
08/02/2008 às 17:20
Se Maringá é considerada uma cidade "planejada", como se explica que um conjunto habitacional precise sofrer estas alterações? Não me venham com conversa de que é para melhorar, pois o plano diretor do município já devia ter previsto estas melhorias antes da instalação do bairro.
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