O 'divo' brasileiro
De férias no Brasil, Édson Cordeiro prepara nova turnê em que homenageia as divas da música, mas show será apenas para a Europa ver
Distante dos palcos brasileiros há muitos anos, o cantor Édson Cordeiro estará de volta ao País no início de março. Mas não será desta vez que o contratenor (voz masculina aguda, com o mesmo alcance do soprano feminino) irá se apresentar no Brasil.
Édson Cordeiro passará um mês no País revendo a família e ensaiando com músicos brasileiros para a temporada do novo espetáculo que estreará na Alemanha em 2008. Em "The woman's voice - A voz da mulher", o cantor fará uma homenagem a grandes divas da música.
O repertório desse espetáculo é marcado pela diversidade, característica comum no trabalho de Cordeiro, assim como a mistura do erudito com o popular.
Graças ao timbre vocal, o cantor já gravou de árias de Mozart e Händel até sambas de Noel Rosa, passando por Janis Joplin, Prince e Rolling Stones.
Em "A voz da mulher", ele interpreta músicas de cantoras como Billie Holiday, Shirley Bassey, Edith Piaf, Madonna, Carmen Miranda, Elis Regina e Dalva de Oliveira.
Internacional
Após ter feito sucesso no Brasil durante os anos 90, Édson Cordeiro tem se dedicadado à carreira internacional pelos últimos 15 anos, se apresentando principalmente na Europa.
Com o último álbum, "Cotratenor", ele conseguiu uma indicação ao Grammy Latino de 2006 na categoria de melhor álbum clássico.
Na Europa, Cordeiro tem se apresentado em teatros, clubes e em grandes estádios.
Ele participou, por exemplo, de eventos como o Montreux Jazz Festival, Musica Clube Viena, no Brighton Festival e o Radeberger Classic Open Air, onde se apresentou para um público de 20 mil pessoas.
Por e-mail, Édson Cordeiro falou com a reportagem de O Diário.
O Diário: Qual é a expectativa para essa volta ao Brasil após a longa temporada no exterior?
Édson Cordeiro: Só quero beijar e abraçar minha família e rever os amigos e fãs.
O Diário: Por que essa opção de investir mais na carreira internacional, em especial na Europa?
Édson Cordeiro: Não é uma opção recente, estou colhendo o que planto há mais de dez anos aqui na Europa.
O Diário: Você acredita que há pouco reconhecimento e oportunidades para a música erudita no Brasil?
Édson Cordeiro: Eu não sei, pois não sou um cantor erudito, gravei sete discos de música popular, vendi mais de 500 mil cópias e não tenho do que reclamar. Sou muito feliz.
O Diário: O seu estilo, que mistura erudito com a MPB e eletrônica, ainda tem uma boa aceitação no País?
Édson Cordeiro: Fiz sucesso primeiro no Brasil, sou querido e respeitado no meu País só depois é que fui cantar no exterior. Meu estilo existe porque o Brasil disse "sim" primeiro.
O Diário: Qual a maior dificuldade em se interpretar canções de divas da música como Billie Holiday e Elis Regina?
Édson Cordeiro: Quando existe o respeito, não tem dificuldade. Eu amo essas cantoras e as respeito.
O Diário: Como foi o processo da escolha do repertório?
Édson Cordeiro: Venho colhendo esse repertório há anos, é tudo o que ouço e que faz bem à minha alma.
O Diário: Quando este show será lançado em CD? Qual a principal característica desse trabalho?
Édson Cordeiro: Este ano entro em estúdio aqui na Alemanha, ainda não sei quando. Tenho muito shows, o que é bom pra amadurecer o repertório.
O Diário: Sempre que se fazem homenagens como essa, é inevitável a comparação com as matrizes. Isso lhe preocupa?
Édson Cordeiro: Só uma coisa me preocupa: é se o público sai feliz do teatro!
O Diário: Por que essa escolha de homenagear as grandes divas da música?
Édson Cordeiro: Porque a voz da mulher mudou a minha vida e devo essa homenagem. Assim também aproximo uma geração que não teve contato com essas divas que mudaram a história da música.
O Diário: Você se considera um "divo" da música?
Édson Cordeiro: O que você acha?
O Diário: Você tem acompanhado o que tem sido produzido de cultura, principalmente musical, no Brasil? Que análise você faz dessa produção?
Édson Cordeiro: Deixa eu voltar para o Brasil primeiro, depois te respondo.
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