Poucos médicos em Maringá. Falta salário ou mão-de-obra?
Atendimento a especialidades e pelo Programa Saúde da Família está comprometido. Secretário fala em falta de pessoal; diretor da Santa Casa crê em baixa remuneração
São apenas dez vagas, abertas desde 2005. Foram realizados sete concursos públicos, sem sucesso. O oitavo, do qual as inscrições deveriam ter sido encerradas na segunda-feira passada, precisou ser prorrogado em uma semana, pois só havia quatro candidatos. O salário mensal de R$ 4.738 mais abono de R$ 70 por oito horas diárias de trabalho como médico da família parece ser insuficiente.
O desfalque persiste em dez equipes do Programa Saúde da Família (PSF) de Maringá, que são formadas, além do médico, por enfermeiro, auxiliar de enfermagem e agente comunitário de saúde. De casa em casa, nas áreas de abrangência, as equipes visitam as famílias e acompanham o estado de saúde dos moradores. No caso das equipes sem médico, esse vínculo é prejudicado. "O médico da unidade básica dá suporte para essas equipes, então ninguém fica sem atendimento. Mas o vínculo é comprometido, porque o paciente pode ser atendido por um profissional diferente a cada vez", aponta o secretário municipal da Saúde, Antonio Carlos Nardi.
Para ele, a remuneração não pode ser usada como justificativa para a falta de interessados. Segundo Nardi, a falta de médicos na rede pública é um problema crônico e nacional, que será resolvido somente quando o número de profissionais disponíveis for maior. "É a oferta que regula o mercado."
O presidente da Associação Médica do Paraná, José Fernando Macedo, defende opinião contrária. "Precisamos qualificar os profissionais que já existem, e não colocar mais profissionais no mercado", diz. Segundo Macedo, apenas 40% dos profissionais recém-formados conseguem vagas em residência médica, a especialização no setor. "Se o médico não consegue fazer residência, não se sentirá capacitado a sair dos grandes centros", pondera.
O pediatra Manoel Marques Ribeiro, diretor clínico da Santa Casa de Maringá, vê influência direta entre a remuneração pública e o desinteresse de médicos pelo trabalho na rede. "O serviço privado paga por produção, normalmente em convênios médicos. Aqui em Maringá, o valor da consulta do convênio que paga menos é R$ 25", afirma. Ribeiro também utiliza o exemplo das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para demonstrar a defasagem entre os valores. "Cada hora de plantão em UTI vale R$ 50. Quem vai querer atender no mês inteiro em unidade de saúde para ganhar R$ 1,5 mil?"
Especialidades
Em Maringá, a falta de médicos compromete também as consultas especializadas, a exemplo da dermatologia e da reumatologia. De acordo com a promotora de Saúde Pública e Saúde do Trabalhador, Elza Kimie Sangalli, a diminuição da fila de espera desta especialidade só foi possível pelo que ela chamou de "boa vontade" dos reumatologistas da rede privada em atender os pacientes que aguardam consulta pelo Sistema Único de Saúde (SUS). "Se eles discordassem, ninguém poderia obrigá-los. Nem mesmo o Ministério Público", diz a promotora. Neste caso, cada médico recebe R$ 15 por consulta, o mesmo valor pago aos prestadores de serviço contratados pelo Consórcio da Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Cisamusep).
Apesar da pequena folga garantida pelos profissionais, a fila de espera para consultas em reumatologia ainda tem 328 pacientes. Dermatologia, ortopedia, psiquiatria, neurologia infantil e a própria reumatologia são as especialidades com maior dificuldade para contratação de profissionais.
A dificuldade em contratar pediatras para o Pronto Atendimento à Criança (PAC), serviço que vai funcionar 24 horas no Núcleo Integrado de Saúde (NIS) da Zona Norte, no Jardim Alvorada, obrigou a prefeitura a optar pela terceirização do corpo clínico.
A empresa Sodehbras, de Curitiba, vai gerenciar o serviço, encarregando-se, por exemplo, de pagar encargos trabalhistas e repor os profissionais, quando for o caso. "Foi a alternativa que encontramos, mas não é a melhor", reconhece Nardi. Previsto para entrar em funcionamento em abril de 2006, o PAC ainda não tem data para ser inaugurado.
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alaor de oliveira freitas
23/02/2008 às 07:41 - É a lei do mercado. O problema é a baixa remuneração. Comigo, ocorre algo semelhante. Sou bacharel em Administração. Tenho onze anos de experiência, em gerência administrativa/operacional. Vejo com ressalvas as notícias de falta de mão-de-obra especializada. O que falta é salário condizente. Quando aparecem vagas, oferecem R$ 800,00, por mês. Prefiro ficar em casa. Eles que contratem aprendizes.
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