OP Criança forma críticos mirins
Através do projeto pedagógico Orçamento Participativo Criança (OP Criança), as escolas municipais de Maringá estão se preparando para lapidar o senso crítico e a participação das crianças na sociedade. Na semana passada, profissionais ligados a Educação receberam um treinamento para aprofundar a parte prática do projeto. Implantado no ano passado, ele faz parte da Lei de Responsabilidade Social e já colhe resultados.
Um exemplo é os alunos da Escola Municipal Miriam Leila Palandri. Com idade média de 10 anos, emitem opinião como se fossem adultos. Após os debates e trabalhos com os professores, concluíram as necessidades da escola onde estudam.
A aluna Isadora Gonçalves da 4ª série, diz que o projeto foi bom para eles pensarem com mais carinho nas necessidades da escola. "Todo mundo participou, até mesmo os pais. Todos dávamos opinião e decidíamos em conjunto o que era melhor. Concluímos que precisamos de uma quadra coberta e queremos a retirada do lixão ao lado da escola", conta. "Fizemos uma pesquisa para saber o que é mais importante. Quando chove não dá para ter aula na quadra e quando não chove, o sol fica muito quente. Por isso queremos uma cobertura na quadra", reforça a aluna Ana Carolina Gaspar.
De acordo com a orientadora do OP Criança da escola, Leila Ramadan Manchini, vídeos que abordam como o projeto funciona em outras escolas e municípios do Brasil foram passados aos alunos, que receberam com entusiasmo a possibilidade de colocá-lo em prática. "O projeto proporciona formar o senso crítico nas crianças, ao introduzir debates do cotidiano delas. Elas discutiram o que acham que a escola precisa e chegaram a um consenso."
Responsável pelo projeto, o sociólogo e coordenador do Instituto Cultiva, Rudá Ricci, explica que o método foi elaborado pelo Instituto Paulo Freire e é aplicado em vários Estados do Brasil e na América Latina. "As crianças estudam o bairro da escola e analisam a realidade em torno de temas como saneamento básico, problemas de saúde, desemprego, questão ambiental", diz.
Utilizando a técnica de observação e registro, elas devem anotar tudo aquilo que presenciarem e julgarem relevantes, de forma que no final detectem onde se encontram e quais são os problemas em torno da escola. "A proposta é que eles possam elaborar sugestões concretas e entregá-las ao prefeito e à Câmara Municipal, atuando como agentes na sociedade", aponta Ricci.
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