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http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/171560 - Acessado em: 04/07/2009 às 17:17:57


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Sábado, 04 de Julho 2009
Cidades  |  Trabalho/Maringá  | Atualizado Quarta-feira, 12/03/2008 às 02h00
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Cai número de acidentes de trabalho na construção civil

Campanhas de orientação e parcerias entre sindicato e empresas derrubam ocorrências em 65% de 1993 para cá. Falta de treinamento ainda é o principal obstáculo

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Carla Guedes
carla@odiariomaringa.com.br

 

"Você também precisa usar o capacete." Foi assim que o empreiteiro Jocélio Souza Barros recebeu a reportagem de O Diário no canteiro de obras de um prédio de 15 andares, em fase de acabamento, localizado na Zona 7 de Maringá.

Há sete anos à frente de uma empresa de prestação de serviços na construção civil, Jocélio afirma nunca ter sido vítima de um acidente de trabalho em canteiros de obras. "Eu também nunca presenciei um acidente com o pessoal da construção", acrescenta.

Atualmente, ele tem equipe de profissionais envolvida em sete obras na cidade. Todas as sete construções exigem dos funcionários o uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs).

A observação de Jocélio sobre os acidentes de trabalho é confirmada por levantamento do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário (Sintracom) de Maringá, que aponta que, de 1993 para cá, houve diminuição de 65% no número de acidentes de trabalho na construção civil.

Os acidentes com morte também acompanharam a queda. Em 1993, foram seis mortes em canteiros de obras em Maringá. No ano passado, foi registrada uma morte e, nos primeiros meses deste ano, nenhum operário faleceu em função de acidente de trabalho.

A redução dessa estatística, segundo o presidente do Sintracom Maringá, Jorge Moraes, é reflexo do resultado de campanhas de orientação e de prevenção de acidentes junto aos trabalhadores e de parcerias com as empresas da construção civil.

Apesar da queda do número de acidentes de trabalho no segmento, Moraes diz que a falta de treinamento do trabalhador é o principal motivo que ainda faz com que operários se machuquem no ambiente de trabalho. "Não adianta dar o equipamento de proteção individual para o trabalhador sem oferecer treinamento e ensiná-lo como usar. Às vezes, a empresa fornece o equipamento, sem treinar o usuário. Como ele não sabe usar o cinto de segurança, por exemplo, não coloca e acaba sofrendo acidente."

Este cenário é freqüente em canteiros de obras irregulares e até mesmo em pequenas obras, nas quais muitas vezes o proprietário do local contrata o serviço de serventes e pedreiros, mas não disponibiliza os EPIs para os funcionários. Moraes explica que no contrato de prestação de serviço entre o dono do imóvel e o operário é preciso incluir uma cláusula que obrigue o trabalhador a utilizar os EPIs. "Se o funcionário se recusar a usar os equipamentos, é melhor não contratá-lo", aconselha. "Da mesma forma que podem acontecer acidentes em obras de grande porte, os operários de reformas e construções pequenas estão sujeitos a imprevistos."

A autoconfiança do operário também pode justificar boa parte dos acidentes de trabalho. Como a obra é uma indústria rotativa, em que as frentes de trabalho mudam com freqüência, o tipo do acidente é diferente em cada fase. Por este motivo, a confiança do trabalhador em achar que já conhece tudo pode favorecer acidentes. "Ele é tão seguro de si que acha que não vai cometer erro", afirma Jorge Moraes.

Os acidentes de trabalho que mais fazem vítimas fatais na construção civil são queda de altura, queda de objetos sobre o operário e choque elétrico, que pode ser proveniente da eletricidade que está dentro do canteiro ou da alta tensão que passa ao lado da obra. Já entre os acidentes que mutilam o operário, a serra circular é campeã, seguida pela falta de equipamento de segurança nos pés e por queda de pequenos objetos.


Números

1.060 auxílios-doença por acidente de trabalho foram concedidos pelo INSS de Maringá em 2007;
1.366 acidentes de trabalho foram registrados em 2006, em Maringá, pelo INSS.

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