Consumo sustenta alta de 5,4%. PIB é de 2,6 trilhões
Melhor resultado desde 2004, índice refletiu também desempenho dos investimentos. Governo federal já vê ciclo consolidado de crescimento e espaço para redução de juros
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 5,4% em 2007, o melhor resultado desde 2004, quando a expansão foi de 5,7%. Em 2007, o PIB - que é a soma das riquezas produzidas por um país - foi puxado pelo consumo das famílias, que se acelerou fortemente no último trimestre, fechando o ano com crescimento de 6,5%, e pelo desempenho espetacular dos investimentos, que cresceram 13,4%.
Tanto no caso do consumo das famílias quanto no dos investimentos, o crescimento de 2007 foi o maior da série iniciada em 1996, e representa o segundo ano consecutivo em que o recorde é batido - em 2006, o primeiro cresceu 4,6%, e o segundo 10%.
O PIB atingiu R$ 2,599 trilhões em 2007, comparado com R$ 2,333 trilhões em 2006 (a diferença inclui o crescimento e a inflação). O PIB per capita, por sua vez, cresceu 4% no ano passado, a segunda maior expansão desde 1996, depois dos 4,2% de 2004.
Outro destaque do PIB de 2007 foi o fortíssimo crescimento da demanda interna, que atingiu 6,9%, depois de ter registrado uma expansão de 5,2% em 2006. A demanda interna é a soma dos bens e serviços, nacionais e importados, consumidos pelas famílias e pelo governo, ou utilizados nos investimentos.
Quebra
A aceleração do consumo e do investimento, porém, fez com que o resultado do PIB em 2007 representasse uma quebra definitiva (iniciada em 2006) do padrão de crescimento que prevaleceu entre 2003 e 2005. Neste período, as exportações cresciam mais do que as importações, com o setor externo contribuindo positivamente para o crescimento, e a renda nacional sendo mais do que suficiente para financiar a demanda interna.
Desde 2006, a contribuição externa tornou-se negativa, mas foi em 2007 que o Brasil apresentou, pela primeira desde 2002, uma necessidade de financiamento externo da demanda interna, no valor de R$ 4,5 bilhões.
O resultado do PIB no último trimestre veio acima das previsões do mercado, e levou o PIB fechado do ano a também surpreender para cima. Comparado com o mesmo período de 2006, o PIB do terceiro trimestre de 2007 cresceu 6,2%. Comparado ao terceiro trimestre de 2007, o crescimento na série dessazonalizada foi de 1,6% - ou 6,6% se for utilizado o número anualizado que diversos países, com os Estados Unidos, empregam para divulgar suas contas trimestrais. No terceiro trimestre de 2007, o crescimento foi de 5,6%, comparado a igual período de 2006, e de 1,8% (7,4% anualizado) ante o trimestre anterior, na série dessazonalizada.
Maior que a inflação
Levantamento realizado pelo economista Márcio Nakane mostra que, em 2007, o PIB brasileiro cresceu pela primeira vez acima da inflação desde 1948. Segundo ele, que coordena o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), enquanto o PIB avançou 5,4% no ano passado, a inflação de toda a economia do País alcançou 4,05%, conforme o deflator implícito do PIB, que mede basicamente o custo de uma cesta de bens na economia. No longínquo ano de 1948, os crescimentos haviam sido de 9,70% e de 5,41%, respectivamente.
Em vez de apenas comparar o PIB com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é considerado o indicador oficial de inflação do País e subiu 4,46% em 2007, o economista usou como base dados mais abrangentes do IBGE e outros mais antigos disponíveis de cada época, compilados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Desta maneira, deixou de lado o IPCA e usou como referência o deflator implícito do PIB. "Enquanto o IPCA pega basicamente o consumo como referência, o deflator implícito pega tudo que está ligado ao PIB, como a parte de serviços, por exemplo", explica Nakane.
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