Entre emergentes, País fica em 35º
O crescimento médio da economia brasileira de 3,8% nos últimos cinco anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva coloca o Brasil em 35º lugar em desempenho, em um grupo de 39 países emergentes. Neste período, o crescimento médio do conjunto foi de 5,6% ao ano. Neste ranking, elaborado pela Austing Rating, a pedido da reportagem da Agência Estado, o Brsil supera apenas Guatemala, México, El Salvador e Haiti. A expansão neste período supera o aumento médio de 2,3% dos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso.
"A gente tem de considerar que o histórico brasileiro ainda é de baixo nível de investimento e elevada taxa de juros", afirma o economista-chefe da Austin, Alex Agostini. No topo da lista, aparecem a China (crescimento médio de 10,6%), Argentina (8,6%), Índia (8,5%), Venezuela (7,8%) e Ucrânia (7,6%). Enquanto a taxa de investimentos do Brasil em 2007 foi de 17,6% do PIB , a chinesa tem estado perto dos 40% nos últimos anos.
Em outro levantamento, feito pelo economista Reinaldo Gonçalves, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a performance brasileira foi maior apenas do que a dos países desenvolvidos, cujos potenciais de crescimento são naturalmente menores. Nos últimos cinco anos, os principais países desenvolvidos que integram o G-7 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão) cresceram em média 2,3% ao ano. Na União Européia, o avanço médio foi de 2,5%.
Entre 2003 e 2007, a expansão brasileira esteve sempre abaixo da média de nações em desenvolvimento no mundo. Desde o início da década, apenas em 2000 e 2002 o Brasil superou o avanço médio de outros países emergentes. Especificamente em 2002, quando o Brasil cresceu 2,7%, a média geral (2,3%) foi jogada para baixo pelas variações negativas de -10,9% da economia argentina e de -11% da uruguaia.
No ano passado, o PIB brasileiro cresceu de forma mais expressiva (5,4%), taxa abaixo da média de 5,8% estimada pelo FMI para os países em desenvolvimento este ano. Este crescimento, contudo, colocou o País na 23ª colocação no ranking relativo ao ano passado no grupo das 39 economias emergentes pesquisadas pela Austin, uma performance melhor do que a média dos últimos cinco anos.
Agostini analisa que o nível de investimento na China e na Índia explica, em grande parte, a forte expansão dos dois países no período recente. No caso da Argentina, a economia local está se recuperando de anos de baixo crescimento ou mesmo encolhimento, com juros baixos e inflação alta. Ele também explica que a performance venezuelana está fortemente baseada na escalada das cotações do seu principal produto, o petróleo.
No passado, o Brasil já chegou a ter taxas de investimentos que chegaram a 36,7% do PIB, mais precisamente em 1975, pela série antiga do IBGE. A expectativa dos economistas, agora, é que o crescimento dos investimentos brasileiros, que avançou em 2007 na casa de dois dígitos (13,4%) pelo segundo ano consecutivo, deverá aumentar o peso deste componente dentro do PIB.
Estudo feito pelo professor da UFRJ também mostra que o governo Lula ocupa o 19º lugar no ranking dos 30 mandatos presidenciais que o País teve desde 1890. O desempenho do atual governo, incluindo os quatro anos do primeiro mandato mais o ano de 2007, supera a média do primeiro mandato de Fernando Henrique (2,4%), do segundo mandato de FH (2,1%) e a variação negativa de 1,4% da gestão de Fernando Collor de Mello. O governo de Itamar Franco aparece na 12ª colocação, com crescimento médio de 5,4%. Na prática, o desempenho da economia do Brasil vem mostrando maior robustez nos últimos quatro anos.
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