Greve de auditores da Receita Federal ameaça arrecadação
Deflagrada há três dias, paralisação prejudica aduanas em portos e aeroportos e, se perdurar duas semanas, vai influenciar na arrecadação, diz sindicalista
O movimento grevista nacional dos auditores fiscais da Receita Federal (RF) do Brasil deflagrou há três dias uma paralisação dos trabalhos da categoria por tempo indeterminado.
A greve recebeu a adesão dos auditores fiscais que atuam na delegacia da Receita Federal de Maringá e, agora, apenas 30% do quadro efetivo têm trabalhado na fiscalização.
Com a paralisação, os serviços realizados pelos auditores fiscais nos 124 municípios abrangidos pela delegacia de Maringá começam a ficar prejudicados.
De acordo com o presidente da delegacia sindical de Maringá, vinculada ao Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Unafisco Sindical), Gérson de Oliveira Chuinca, se o movimento perdurar por duas semanas a arrecadação dos impostos federais vai ser prejudicada.
“No primeiro momento, o reflexo vai ser percebido nas zonas primárias, como aduanas de portos e aeroportos, onde os auditores fiscais vão liberar apenas produtos perecíveis, cargas vivas e medicamentos. E, em duas semanas, se a greve persistir, vai ocorrer queda na arrecadação”, disse.
Em Maringá, de acordo com Chuinca, alguns trabalhos de fiscalização, malha fina, análises de processos, ressarcimentos do Imposto de Renda e o serviço de plantão fiscal estão prejudicados.
“Outra conseqüência na cidade é que as importações e exportações feitas por meio do Porto Seco também vão ser prejudicadas”, afirmou Chuinca.
O sindicalista relatou que os auditores-fiscais não querem prejudicar a população, mas lembrou que a greve é a única arma que o servidor público tem.
“Queremos chamar a atenção para a importância do trabalho dos auditores fiscais, que atuam no combate à sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e na arrecadação de impostos”, considerou.
Os principais motivos que levaram os auditores fiscais a deflagrar a greve são o reajuste salarial e os critérios de progressão de carreira e salário.
Com relação ao porcentual de aumento, o vice-presidente da delegacia sindical de Maringá, Rafael José dos Santos, relata que os auditores fiscais pleiteiam reajuste de 37% a 40%, enquanto o governo apresentou uma proposta inicial de 17%.
“A proposta apresentada ficou aquém de outras categorias, como a de analistas, que é de 37% a 40%. E, além disto, a proposta do governo não fala em prazos para a concessão dos reajustes”, disse.
Com relação à progressão salarial dos auditores fiscais, Santos afirmou que a forma de avaliação da carreira apresentado pelo governo traz critérios subjetivos. “Hoje temos um sistema baseado em metas. Com a nova proposta, nada que se faça vai refletir.”
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