'Serviço bem feito dura mais', diz especialista
O professor especialista em pavimentação da Universidade Estadual de Maringá (UEM), José Kiynha Ishiba, considera que a forma mais correta de se consertar um buraco é através de remendos técnicos que exigem o recorte de uma área ao redor do buraco, a limpeza do local, a aplicação de uma espécie de cola e, após o lançamento do asfalto, a compactação.
O professor não quantifica, mas aponta que o serviço completo custa mais caro. "Mas o serviço bem feito dura mais e o cliente fica mais satisfeito. A questão é: repetir um serviço várias vezes ou fazer uma só vez para durar mais tempo?".
O DIÁRIO - Qual a forma mais correta para se fazer o serviço de manutenção, mais conhecido por tapa-buraco, nas ruas e avenidas?
JOSÉ ISHIBA - Tem que fazer o recorte ao redor do buraco, em formato retangular ou quadrado, na mesma profundidade do buraco. Depois é preciso fazer a limpeza para retirar resíduos como poeira e pedras. Na seqüência, é preciso fazer uma pintura de ligação, com uma emulsão asfáltica, para então cobrir com o Concreto Betuminoso Usinado Quente (CBUT), produzido a partir do Concreto Asfáltico de Petróleo (CAP).
Qual o problema que pode ocorrer se não cortar o asfalto e limpar o buraco para aplicar o CBUT ao se fazer uma operação tapa-buraco?
Vai durar menos. Se não recortar e não limpar da maneira correta, não vai dar um encaixe certo. Não vai dar uma boa aderência entre o material que for colocado e a parte asfaltada. É a mesma coisa que uma ferida no nosso corpo. Não adianta colocar só um esparadrapo, tem que limpar o ferimento para depois proteger. Num buraco de asfalto, que não é limpo, ocorre que junta muito pó e pedras soltas que atrapalham na adesão do material. Outra coisa que precisa ser muito bem feita é a compactação correta do material, o que vai ajudar na concentração e na estabilidade do reparo.
Quais as principais diferenças entre a utilização do CBUT e do Pré-Misturado a Frio (PMF)?
O CBUT é um composto quente, melhor, mas como precisa usinar é mais caro e precisa ser colocado imediatamente para compactar melhor. Mas ele esfria logo e, se baixar a temperatura, prejudica a compactação, pois não dá a densidade desejada. O Pré-Misturado a Frio (PMF) é mais barato e pode ser estocado por um, dois dias, até ser utilizado. Estas características se devem ao fato dele ser misturado a frio, lançado no buraco a frio e compactado a frio. O material quente dura mais, é mais caro, mas deixa o usuário mais satisfeito com o resultado.
Por esfriar rápido, a utilização deste material quente demanda um planejamento maior na execução dos serviços?
Tem que fazer um plano sobre a quantidade necessária para fazer o carregamento. Se prever a quantidade certa, não se enfrenta o problema de esfriamento. Para fazer um tapa-buraco, também dá para usar o material frio, mas tem que ser bem feito. Mesmo com material frio, é preciso fazer o recorte, a limpeza, a pintura de ligação, a colocação da massa e não esquecer da compactação para deixar nivelado ao asfalto.
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