O Diário do Norte do Paraná
http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/189944 - Acessado em: 04/07/2009 às 18:31:37


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Sábado, 04 de Julho 2009
Economia  |  Estratificação Social  | Atualizado Segunda-feira, 21/04/2008 às 14h02
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'Maringa está acima da média nacional'

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Luiz Fernando Cardoso
lfcardoso@odiariomaringa.com.br

 

Entrevista com Joilson Dias, economista da Univesidade Estadual de Maringá (UEM)

1 - O DIÁRIO - Em poucas palavras, como o senhor define a Classe C de hoje?
JOÍLSON DIAS - Uma das formas de definir as classes sociais é através da soma dos bens que a família possui. São verificados números de televisores, se a família tem geladeira, freezer, computador, aparelho de DVD, número de veículos, se tem empregada doméstica. A partir dessas informações se obtém uma classificação por pontuação, que determina em que classe o indivíduo está. A típica classe C hoje tem os chamados bens mínimos: televisor, geladeira, fogão, rádio, aparelho de DVD. Não tem empregada doméstica e, quando tem veículo, normalmente é financiado.

2 - Num cenário em que a economia maringaense cresce mais que a média das economias do Paraná e do Brasil, qual o papel da Classe C? Ela chega a influenciar o setor imobiliário?
Fizemos um estudo, recentemente, que mostra que estamos acima da média nacional. A maioria dos brasileiros está na classe C, enquanto a média maringaense está muito próxima da classe B2. A classe C de Maringá tem uma força muito grande, com um poder de compra cada vez maior. São famílias que fazem um sacrifício muito grande para comprar a casa própria, tendendo a sair do aluguel. Na classe C de Maringá, cerca de 70% das famílias têm imóvel próprio, mesmo que financiado.

3 - Uma classe C mais inchada e com maior acesso ao crédito significa um consumo mais acentuado de bens duráveis, como os eletrodomésticos e computadores?
A primeira etapa da classe C é a casa própria. Após isso, ela começa a migrar para os móveis e eletrodomésticos. No meio disso, tem um certo percentual que investe em locomoção. A classe C é "perigosa", no bom sentido. Se der um crédito maior, ela vai lá e compra um carro. E na medida em que a classe C começa a migrar para a B, aumenta a demanda na área de prestação de serviços, as pessoas passam a ter um plano de saúde, vão mais ao médio, ao dentista.

4 - Pode-se dizer que a expansão da classe C contribuiu diretamente para fenômenos como a democratização do ensino superior?
Sim, porque na classe C boa parte das pessoas já tem o segundo grau completo. E quem já concluiu o ensino médio visualiza a melhoria de seu capital humano. Sem dúvida nenhuma, há um aumento da demanda por escolaridade. A única forma da pessoa ascender socialmente é através da escolaridade.

5 - Linhas de crédito para financiamentos longos, de até 30 anos no da casa própria, foram liberados já pensando nessa Classe C sedenta por consumo?
Na média da classe C, a demanda por imóveis chega a 30%. Esse pessoal, com crédito, tende a sair do aluguel. Hoje, financiamentos acima de 20 anos são voltados a essas famílias, porque são parcelas que cabem no orçamento.

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