36ª Expoingá promete ser a melhor da história
Desde o ano 2000, o agropecuarista Joaquim Romero Fontes dedica-se, integralmente, à Sociedade Rural de Maringá (SRM). Nesses oito anos, Fontes está à frente da SRM como presidente.
Hoje, aos 91 anos, ele recorda, emocionado, de ter sido o associado número um da entidade e também de ter sido indicado, por amigos, à presidência da Rural.
Natural de Taquaritinga, interior de São Paulo, Fontes trabalhou na lavoura desde cedo e orgulha-se disso. Na cidade-natal, aventurou-se no setor cafeeiro.
A memória guardou a data da mudança para Maringá: “Foi dia 13 de maio de 1949.” Um ano antes de arrumar as malas e instalar-se na Cidade Canção, Fontes adquiriu uma propriedade próxima à Estrada Guaiapó, com 50 alqueires e 30 mil pés de café.
“Tive muita sorte e colhi safras abundantes. Os recursos dessas produções me permitiram comprar duas fazendas: uma no sul do Mato Grosso e outra em Rondônia. Foi aí que parti para a pecuária”, recorda.
A cinco dias do início da 36ª Expoingá, que será realizada entre oito e 18 deste mês, no Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro, em Maringá, Fontes afirma que está confiante no sucesso da Feira.
As expectativas são que mais de 200 expositores participem da Expoingá, cerca de 700 mil pessoas visitem o evento e que mais de R$ 100 milhões sejam comercializados durante os 11 dias da Feira. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
O Diário: A cinco dias da abertura da 36ª Expoingá, quais as expectativas da Sociedade Rural de Maringá (SRM) em relação à Feira?
Joaquim Romero Fontes: As expectativas são as melhores possíveis. A situação atual do Brasil é muito boa porque o nosso produto agrícola está valorizado e a pecuária também vive um ótimo momento. Nos últimos anos, a Expoingá foi afetada por problemas que atingiram a agricultura e a pecuária, mas agora a economia passa por uma fase boa e a agricultura e a pecuária estão em alta. Observamos, também, grande procura de estandes pelos expositores, o que demonstra que esta edição da Expoingá tende a ser a maior e melhor de todas as edições já realizadas nos últimos 36 anos. Eu acredito que o volume de comercialização ultrapasse os R$ 100 milhões e que mais de 700 mil pessoas passem pelo Parque (Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro), nos 11 dias de Feira.
O Diário: Qual a opinião do senhor sobre a crise dos alimentos?
Joaquim Romero Fontes: Eu acho que o Brasil é um País privilegiado e tem grande vantagem frente aos demais: aqui existe um clima que possibilita que haja produção de alimentos o ano inteiro.
O Diário: Então, não existe crise?
Joaquim Romero Fontes: Em comparação com os últimos dois anos, atualmente está excelente. Não posso querer melhor do que está. Tanto é verdade que a nossa carne está sendo muito procurada. A carne aqui no Brasil é produzida por capim, então, é muito sadia. Existe uma preferência muito grande dos países por adquirir a nossa carne. Pelo o que a gente já observou nas exposições que já foram realizadas na nossa região, eu acredito que, assim como Londrina teve uma exposição muito ampla, Maringá também vai acompanhar o mesmo ritmo.
O Diário: A alta do preço dos alimentos é boa para quem?
Joaquim Romero Fontes: Para o produtor, que vai vender seu produto por um preço regular. Com esta alta no preço dos alimentos, o agricultor está vendo a possibilidade de sanar os seus débitos. Os últimos anos trouxeram problemas muito graves para os agricultores, que se endividaram. Acredito que este ano dará ótima oportunidade para que eles sanem, se não for totalmente, que seja em partes, os seus débitos. Tenho certeza que assim todos vão se sentir muito felizes em poder cumprir, fielmente, com seus compromissos financeiros.
O Diário: Qual o conselho que o senhor dá aos agricultores diante do aumento do preço dos alimentos?
Joaquim Romero Fontes: Aconselho o agricultor a se aperfeiçoar cada vez mais. Digo isso porque, hoje, não adianta quantidade, o que adianta é qualidade. Então, tanto na agricultura como na pecuária, é preciso que os produtores procurem se basear bem em dados de institutos brasileiros e se atualizem à época moderna. Hoje, tudo evoluiu e temos que acompanhar e procurar a melhor maneira de poder cada vez mais aperfeiçoar a sanidade dos nossos animais.
O Diário: O senhor se refere à febre aftosa?
Joaquim Romero Fontes: Sim. Em 2006, a notícia da febre aftosa nos deu enormes prejuízos. Foi algo que nos causou uma grande tristeza. Eu acredito que, agora, com o início da vacinação (a campanha estadual de vacinação começou no dia primeiro, quinta-feira, e os produtores terão até o dia 20 para imunizar os rebanhos), vamos melhorar ainda mais, pois tudo o que é produzido no Brasil tem grande procura no exterior.
O Diário: O senhor acredita que a expansão da área plantada de cana-de-açúcar no Brasil pode prejudicar a produção de alimentos?
Joaquim Romero Fontes: Realmente, a cana-de-açúcar está em plena expansão e hoje é um produto que é procurado pelo mundo inteiro. Eu acredito que o plantio da cana não vai prejudicar os alimentos. Tem espaço para plantar trigo, milho e soja e também para a matéria-prima dos biocombustíveis. Tem espaço para produzir tudo, sem um prejudicar o outro.
O Diário: O senhor considera bom o projeto de construção de um alcoolduto entre o Mato Grosso do Sul e o Porto de Paranaguá?
Joaquim Romero Fontes: Eu acredito que o governo vai estudar a melhor maneira para que este alcooduto seja bem planejado para que um produto (cana-de-açúcar) não venha prejudicar o outro (alimentos).
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