Ricardinho concede entrevista exclusiva a O Diário e diz que foi 'mal interpretado'
Em fase final de recuperação da contusão que o impede de jogar há dois meses e meio pelo Modena, na Itália, o ex-levantador da Seleção Brasileira Ricardo Bermudez Garcia, o Ricardinho, atendeu a reportagem de O Diário e Rádio Cultura AM, com exclusividade, no apartamento dele, em Maringá.
O atleta foi comedido ao comentar sobre o desligamento da Seleção Brasileira e a relação com o técnico Bernardinho e ex-companheiros, com os quais nunca mais conversou desde que deixou o grupo, antes das disputas dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro.
Segundo ele, o assunto Seleção já lhe rendeu aborrecimentos pelo fato de, em alguns casos, ter sido mal interpretado. Mas não não se esquivou de falar sobre a carreira na Itália e a relação com a Cidade Canção.
Embora mantenha residência em Maringá, o jogador, de 32 anos passa a maior parte do tempo (dez meses por ano) na Itália, onde está perfeitamente adaptado com a família.
Pretende continuar na Europa, mesmo após o término do contrato com o clube atual, porém não descarta retornar para o Brasil, no caso de boa proposta.
Para Ricardinho, considerado o melhor jogador do Mundial, em 2007, o Brasil é favorito nas disputas da Liga Mundial e Jogos Olímpicos de Pequim.
O Diário: Em que estágio você diria que está na carreira, considerando os aspectos físico, técnico e emocional?
Ricardinho: Há vários anos me considero na melhor fase, tanto física quanto técnica. Emocionalmente passei por um período em que o Brasil todo sabe, não foi fácil, porém, como todo ser humano, tive que me superar e hoje me considero mais forte.
O Diário: O fato de não ter sido relacionado para as disputas da Liga Mundial, que é preparação para os Jogos de Pequim, significa que seu ciclo na Seleção está encerrado?
Ricardinho: Prefiro não comentar sobre a Seleção Brasileira pelo simples motivo de que toda vez que digo algo é mal interpretado pela imprensa sensacionalista.
O Diário: Bernardinho declarou que o seu retorno para a Seleção dependia de um pedido oficial de desculpas ao grupo e que você não teria se manifestado sobre isso. O que há de verdade nessa afirmação?
Ricardinho: A resposta acima responde esta questão.
O Diário: Como você analisa a reação dos seus companheiros de Seleção em relação ao impasse com o treinador. Você entende que faltou solidariedade deles?
Ricardinho: Digo só uma coisa: aprendi bastante e cresci muito com tudo que aconteceu.
O Diário: O seu relacionamento com Bernardo Rezende, antes do rompimento, teve algum abalo? Você o teve na conta de amigo pessoal antes, ou apenas tinham envolvimento profissional?
Ricardinho: Sempre foi um envolvimento pessoal e profissional.
O Diário: Você chegou a conversar com alguém da seleção (comissão técnica ou atletas) após seu desligamento do grupo?
Ricardinho: Não.
O Diário: De que forma você considera que seu desligamento da seleção afetou sua vida pessoal?
Ricardinho: Não afetou minha vida pessoal, simplesmente foi um período difícil, mas já foi superado.
O Diário: Qual a gravidade da contusão que está impedindo-o de jogar pelo Modena?
Ricardinho: Foi uma fratura na mão, mais precisamente no quarto metacarpo da mão esquerda. Um momento difícil, pois nunca havia passado por uma cirurgia em toda a minha carreira. Hoje afirmo que estou 100% recuperado.
O Diário: E para o futuro? Existe possibilidade do seu envolvimento com o vôlei em Maringá na condição de dirigente?
Ricardinho: Por enquanto tenho um longo contrato na Itália, mas nunca descartei essa possibilidade. Amo o vôlei e amo Maringá.
O Diário: Você constituiu família em Maringá, mas tem vínculos com a origem, que é São Paulo. Após o encerramento da carreira é sua intenção permanecer na cidade?
Ricardinho: É muito complicado falar do futuro agora. Amo Maringá, mas tenho um grande vínculo com São Paulo e hoje posso dizer que um vínculo maior ainda com a Itália, visto que minhas filhas estudam lá e passo dez meses do ano lá. Porém, Maringá tem e sempre terá um espaço grande em meu coração e em minha vida.
O Diário: Você projeta algum plano de negócios em Maringá?
Ricardinho: Penso sim. Sempre que me vem algo em mente, o primeiro lugar em que penso é Maringá. Digo sempre: do passado falamos, o presente vivemos e o futuro a Deus pertence.
O Diário: O fato de ter se desligado da seleção brasileira, afetou de alguma forma a sua imagem no sentido de aproveitar a 'marca' Ricardinho em publicidades, por exemplo. Você está sendo prejudicado na renda financeira que poderia ter com o seu nome?
Ricardinho: Primeiro que nunca fui um atleta preocupado e voltado para o marketing, ou seja, a venda de minha imagem. Sempre prezei ser reconhecido e admirado como jogador, por tudo que faço em quadra.
O Diário: Mesmo sem a sua presença, que perspectivas você vê para o voleibol brasileiro nestas competições mais próximas, a Liga Mundial e os Jogos de Pequim?
Ricardinho: É considerado o melhor time e o time a ser batido. Tenho certeza que tem tudo para vencer.
O Diário: Essa geração da qual você faz parte, pode ser superada pelas próximas. Os jogadores que estão surgindo terão condições de manter a hegemonia da modalidade ou a Europa tende a ameaçar essa posição do Brasil?
Ricardinho: Acredito que jogadores o Brasil tem. O mais difícil é formar um grupo vencedor como está sendo esta geração. Potencial temos.
O Diário: Por quantas temporadas você pretende continuar atuando no vôlei italiano? Existe a intenção de, antes do término da carreira, jogar por algum clube brasileiro?
Ricardinho: Tenho mais quatro anos de contrato. Pretendo ficar mais tempo na Europa. Se surgir uma boa oportunidade analisarei a possibilidade.
O Diário: "Filho de peixe é peixinho". Você já detecta nas suas filhas o gosto pelo vôlei, acredita que elas possam seguir a carreira? E, se isso acontecer, terá a sua aprovação?
Ricardinho: Na Itália as duas fazem vôlei na escola de base do Modena. As duas adoram, se isso vier a acontecer ficaria muito feliz.
O Diário: Como tem sido seu dia a dia nessa fase de recuperação. Sente muita falta da atividade profissional?
Ricardinho: Fiquei dois meses e meio parado. Foi muito ruim, pois não podia fazer nada. Agora já estou liberado e treinando há um mês.
O Diário: Que tipo de atitude você não tomaria, nesse caso envolvendo Bernardinho e você, se fosse possível voltar no tempo?
Ricardinho: Agiria como sempre agi, pois sempre dei o melhor de mim, sempre fui fiel e honesto.
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