O mercado de motos seminovas espera dias melhores em Maringá. As taxas de juros mais baixas e os longos financiamentos têm levado os consumidores de volta às revendas de motos zero quilômetro. Para ganhar os clientes, muitos comerciantes se associam a financeiras para estender prazos de pagamento. Outra opção é cativar os apaixonados por motos grandes para lazer.
"O perfil de cliente mudou porque as condições de financiamento favorecem a compra de motos novas e fica difícil competir. Outro ponto é em relação às marcas, o brasileiro é desconfiado, compra mais aquilo que conhece", afirma o gerente da Moto Studio, Luiz Carlos Martins. Ele conta que se os prazos de financiamento oferecidos pelas fábricas forem reduzidos para 36 meses, como de costume, certamente o mercado volta ao ponto de equilíbrio.
Planejamento
Para o diretor da Moto & Cia, Vanderlei Gomes, o momento pede cautela a quem trabalha no mercado de motos seminovas. Existe um grupo de clientes que opta por essa categoria porque utiliza como veículos para trabalho. Esse público geralmente não tem meios de investir em motos muito caras. Uma solução imediata para os empresários que comercializam motos seminovas seria diversificar os negócios e investir em produtos clássicos, como as motos grandes para lazer.
"Hoje está muito fácil conseguir o financiamento, tanto que os jovens vêm comprar a moto sem os pais e se orgulham por assumir a dívida sozinhos", destaca o gerente da Honda Free Way, Alesandro Piero. Conforme o perfil sócio-econômico do cliente, ele pode conseguir financiar até 100% do valor da motocicleta. Os prazos de pagamento variam de dois a seis anos para pagar, conforme o modelo e a marca da moto.
Quando o cadastro não é aprovado, os pais ainda salvam os filhos. "O estudante tem dificuldades na hora de comprovar a garantia do financiamento. Basicamente, é preciso ter renda três vezes superior ao valor de cada parcela e, quando eles não têm, apelam para os pais", diz o gerente da Moto Play Suzuki, Fábio Culpi.
A consultora de vendas da Honda Blokton, Zeli Picollo, acredita que os consórcios também ajudam a vender as motos novas. O prazo de espera é maior, mas o custo é mais acessível e pode ser uma oportunidade para quem tem o financiamento negado.
Independente da marca, os modelos de até 150cc são os preferidos em Maringá. Entre as mulheres, as motonetas, pelo conforto da posição sentada. Entre os homens a preferência ainda é pelas motocicletas, especialmente na categoria street. "As pessoas querem veículos fáceis de pilotar e econômicos, por isso essas duas categorias saem na frente", reforça o consultor de vendas da Yamaha Motonáutica, Reneé Lourenço.