'Ficha suja' pesa no voto de 88% do eleitorado
Para 61% dos entrevistados, na pesquisa do Data Senado, basta que o candidato responda a algum processo eleitoral para ser classificado como 'ficha suja'
Uma pesquisa do Data Senado, instituto do Senado Federal, aponta que o eleitorado brasileiro está, no mínimo, desconfiado dos candidatos que respondem a processos de improbidade administrativa e eleitoral, ou que foram condenados por essas práticas.
Na pesquisa, realizada na segunda quinzena de agosto, 88% dos entrevistados disseram que podem mudar o voto por causa da vida pregressa de um candidato. A amostragem, que tem margem de erro de 3%, foi realizada com um público de 1.105 eleitores de todas as capitais brasileiras.
O Data Senado também considerou a rejeição do eleitorado em relação aos chamados 'fichas sujas'. Cerca de 85% dos entrevistados se posicionaram contra a candidatura de quem tem ou teve problemas com a Justiça Eleitoral. Assunto que, segundo a pesquisa, não passa despercebido pela população, já que 67% disseram ter conhecimento sobre o tema.
O instituto do Senado Federal também questionou os eleitores sobre o que eles entendem por 'ficha suja'. Para 61% dos entrevistados, basta o candidato responder a algum processo por crime eleitoral, mesmo que não tenha condenação em última instância, para ser classificado como ?ficha suja?. No entendimento de 34% é necessário que tenha havido condenação em definitivo.
Na opinião do presidente do Observatório Social de Maringá, Ariovaldo Costa Paulo, o elevado índice de eleitores que demonstram alguma aversão contra candidatos com a 'ficha suja' apenas reflete o momento vivido pela política brasileira. "A pesquisa não me surpreende porque acredito que o brasileiro está cansado de ver tantos casos de corrupção. O eleitor liga a televisão e toda hora vê isso aí", comentou.
Costa Paulo diz que o papel da sociedade organizada é divulgar o histórico dos candidatos e o do eleitor é avaliar cada situação com cautela. "Em caso de reeleição, inclusive, é bom saber qual o histórico do candidato e o que ele fez pela sociedade." Ele acrescenta que na política é fato corriqueiro a abertura de processos entre adversários de campanha. "O eleitor tem de ter o discernimento para saber quais processos foram abertos de má fé", recomendou.
O resultado da pesquisa, comenta a cientista política da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Carla Almeida, indica que a sociedade brasileira está predisposta a rejeitar candidatos que tenham uma vida pregressa maculada. Isso não quer dizer, explica ela, que nas urnas quase 90% do eleitorado vai deixar de votar em candidatos com a 'ficha suja'.
Segundo Carla, é natural que o eleitor responda, quando abordado por um entrevistador, que vai alterar o voto para compartilhar com os valores da honestidade. "Não quer dizer que na hora de votar, efetivamente, os eleitores façam o que disseram na pesquisa", comentou a cientista social.
E esse comportamento, diz ela, deve-se a vários fatores, entre os quais a identificação com a origem dos candidatos. "Um eleitor do Iguatemi, por exemplo, tende a votar num candidato de seu distrito, com o qual tem alguma proximidade", declarou.
Nas urnas, em outras palavras, a 'ficha suja' pode nem pesar tanto assim.
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