Sacadas de prédio de 15 andares, da Zona 7, desabam
Desabamento de marquise e sacadas de prédio de 15 andares na Zona 7 só não causou mortes porque aconteceu de madrugada; Defesa Civil interdita apenas parte do edifício
As sacadas de uma das partes do Residencial Dom Gerônimo, edifício de 15 andares, na Zona 7, em Maringá desabaram por volta da 00h30, da madrugada desta segunda-feira.
Por causa do horário, quando há pouca movimentação na frente do prédio, não houve feridos, apenas danos materiais, mas o estrondo assustou vizinhos e moradores, que deixaram o edifício às pressas.
Cada apartamento tem duas sacadas - uma, na lateral do prédio, contígua à suíte principal, e outra, na sala. As sacadas que caíram eram as das salas, na ala direita do prédio.
O desabamento começou na cobertura da 15ª sacada, causando uma espécie de efeito dominó que foi demolindo todas as outras sacadas abaixo.
Os escombros caíram na entrada de pedestres, cujo piso cedeu com o peso do concreto, fazendo com que a garagem, que fica no subsolo, também fosse atingida. Nenhum carro, porém, sofreu danos.
Além do escombros que ficaram no portão de entrada do prédio, estilhaços de vidros de janelas cobriram o asfalto em frente ao edifício.
O estrondo colocou em alerta os moradores de todo o condomínio que, de início, não sabiam exatamente o que estava acontecendo, mas começaram a abandonar o prédio utilizando as escadas e evitando o elevador.
Os moradores desceram as escadas apenas com a luz de emergência, pois as sacadas, ao caírem, romperam os fios da rede de energia elétrica.
O Corpo de Bombeiros que, segundo os moradores, chegou ao local rapidamente, fez uma primeira avaliação e, por volta das três horas da madrugada desta segunda-feira, o edifício foi liberado - com a recomendação de os moradores não usarem as sacadas que restaram.
Nem todas as pessoas, porém, se sentiram seguras para passar o resto da noite nos apartamentos. Alguns moradores saíram com a roupa do corpo e procuraram hotéis da cidade.
"Muita sorte"
O coronel do 5º Grupamento do Corpo de Bombeiros, Jurandi André, conta que o prédio não apresentava abalo estrutural algum que oferecesse riscos aos moradores.
"Foi muita sorte ninguém ter se ferido", avalia.
Ele informa que o próximo passo será a avaliação dos escombros e a comparação entre a obra executada e o projeto.
"Fizemos uma avaliação visual e não observamos rachaduras. Nossa preocupação é com as outras sacadas que, talvez, terão que ser demolidas", adianta o coronel, destacando que tudo depende dos laudos finais.
Não há data para a conclusão dos laudos.
O capitão Jorge Inácio da Silva, do Corpo de Bombeiros, relata que a sacada do 15º andar não caiu inteiramente e que pedaços de concreto ficaram pendurados.
"Precisamos retirar o material que estava pendurado", explica.
O capitão destacou o fato de não haver vítima.
"Se fosse mais cedo, teria morrido gente, pois estava calor e poderia haver pessoas nas sacadas".
Ele contou que alguns moradores ficaram nervosos, mas não houve tumulto durante a evacuação do prédio.
Para o capitão Silva, a primeira avaliação não revelou problemas na edificação.
"Quando há problemas estruturais, geralmente os moradores percebem os sinais como rachaduras, portas que não fecham, as colunas começam a ceder bem antes de um desabamento", ensina.
Apontado como responsável pela construção do edifício, o engenheiro Cláudio Mukai foi procurado pela reportagem de O Diário no local de trabalho, mas não estava e não retornou a ligação.
Infiltração
O chefe de Operações da Defesa Civil e secretário dos Serviços Públicos Vagner Mússio diz que foram encontrados sinais de infiltração de água na cobertura da sacada do 15º andar, onde o desabamento começou.
"Agora, nós vamos comparar a obra que foi executada e o projeto. Fizemos um laudo preliminar e percebemos que a estrutura geral está intacta, mas interditamos todas as sacadas e uma parte da garagem", conta Mússio, explicando que o laudo final - que deve ficar pronto em trinta dias - poderá revelar se será ou não necessária a demolição de todas as sacadas do edifício.
"Ou pelo menos as da parte da frente do prédio", detalha.
Os apartamentos foram liberados pela Defesa Civil, mas todas as sacadas estão interditadas.
"Pedimos inclusive que os moradores tirassem qualquer objeto pesado dessas sacadas, como vasos ou móveis", diz Mússio.
O desabamento atraiu centenas de curiosos, que pararam na frente do prédio para observar o estrago. Muitos questionavam a espessura dos ferros utilizados na estrutura do edifício.
Mússio diz que só mesmo o laudo da Defesa Civil poderá determinar se o material utilizado na obra era adequado ou não.
No período da manhã, a Defesa Civil providenciava a retirada de entulhos que ficaram no piso de entrada e sobre o teto da garagem. Havia o receio de que o teto não agüentasse o peso e cedesse.
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