Ex-morador apontou infiltrações em 2003
Há cinco anos, inquilino do prédio já havia reclamado de infiltrações; Prefeitura vai analisar se materiais utilizados na sacada são os que constam do projeto
Problemas de infiltração de água no residencial Dom Gerônimo, na Zona 7, já tinham sido apontados em agosto de 2003. É o que consta dos registros da imobiliária Pedro Granado, que administrava a locação de um apartamento no 15º andar, naquela época.
Segundo informações da imobiliária, em 2003, o inquilino Alex Benali, registrou uma reclamação por escrito sobre o problema.
A imobiliária, então, enviou um técnico que, ao averiguar a infiltração, constatou que se tratava de algo mais complexo e que precisaria do trabalho de um engenheiro civil.
Esse, por sua vez, inspecionou o apartamento e afirmou que não seria possível executar uma reforma com o imóvel ocupado. O inquilino desocupou o apartamento.
A imobiliária, por sua vez, devolveu as chaves à proprietária com a recomendação de que fosse realizado o reparo, pois não havia condições de uso do apartamento.
A imobiliária não informou o nome da proprietária à reportagem, mas disse que ela afirmou na época que procuraria a construtora para solicitar os reparos.
Escoramento
Um dia após o desabamento das sacadas de uma das alas do residencial Dom Jerônimo, a Defesa Civil iniciou, nesta terça-feira, um trabalho de escoramento das sacadas que restaram.
A calçada da frente foi isolada para que o material utilizado nas escoras pudesse ser manipulado com segurança. As portas da ala que abriam para essas sacadas estavam vedadas com madeira.
A síndica, Olga Inez Farani de Souza, disse que as escoras são apenas para prevenção e que não havia outro problema. Ela informou também que a fachada do prédio será mudada.
"Vamos tirar as outras sacadas e buscar um estilo bem moderno. Não dá para deixar um lado com sacadas e o outro sem", explicou.
Apesar dos projetos, os moradores evitam falar sobre o desabamento. Olga disse apenas que os condôminos continuam preocupados, mas que todos estão buscando a solução do problema.
"A estrutura do prédio não foi abalada", destaca.
Três dias
O secretário dos Serviços Públicos e diretor de Operações da Defesa Civil, Vagner Mússio, explica que será desmanchado o que sobrou de uma sacada para fazer comparação com o projeto.
O resultado desse exame, segundo ele, deverá sair em três dias. Serão avaliados o concreto e as ferragens.
"Com os resultados, vamos comunicar a construtora e o engenheiro responsável pela obra", acrescenta.
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Leonel
29/10/2008 às 08:43 - Como engenheiro civil há 31 anos e especialista em estrutura, uma coisa posso adiantar: se fosse erro de execução ou projeto estrutural a obra já teria ruído logo no início. Outro fator, quando o problema é estrutural ou de execução não se dá o rompimento como aconteceu e sim haveria em um primeiro momento o escoamento do aço ficando parte do concreto aderido a esse, sem contudo desabar de uma só vez. Não estive no local, mas, pelas imagens que vi na TV, o problema realmente é de falta de manutenção. Deve ter havido alguma fissura na lage que faz parte da cobertura da última sacada, e com o tempo houve a corrosão da armadura, diminuindo a espessura ao ponto de não mais suportar os esforços o que provocou o rompimento de imediato. Daí as conseqüências são inevitáveis, com o peso desta acrescido da gravidade passou a derrubar as demais que não tinham problema por efeito dominó, uma vez que, não foram projetadas para suportar o esforço que passaram a receber pelo impacto. Portanto, esse momento é de cautela, não se deve condenar ninguém sem antes uma análise feita por especialista com muito critério.
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