Sacadas estavam maiores do que no projeto da obra
Durante reunião da Defesa Civil, nesta sexta-feira foram discutidas as possíveis causas do incidente; um dos pontos é a diferença de medidas entre o edifício e o projeto original
A Defesa Civil apresentou nesta sexta-feira hipóteses sobre o desabamento da marquise e das sacadas de 15 andares do edifício Don Gerônimo, na Zona 7, no dia 26 de outubro. A principal teoria é a diferença de medidas que há entre o prédio e o respectivo projeto.
Na análise feita, constatou-se que as sacadas são maiores do que o consta do papel.
"Os tamanhos não batem", disse o coordenador Regional da Defesa Civil, coronel do Corpo de Bombeiros Jurandi André, durante reunião que contou com a presença de representantes da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Maringá (AEAM), do Crea-PR, da Prefeitura, do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Noroeste do Paraná (Sinduscon Nor-PR) e da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Como a diferença nas medidas pode explicar os desabamentos, uma análise científica será feita em breve para ratificar ou não a possibilidade. O laudo que vai apresentar o resultado contará com a participação das entidades presentes da reunião.
"Não existe uma previsão de quando o documento será concluído, porque vai depender da quantidade de análises que vão se fazer necessárias durante o processo", adiantou o coronel.
Ele acrescentou que vai consultar o engenheiro responsável pelo projeto estrutural do edifício, que não compareceu à reunião. O coronel relatou que ele enviou uma carta dizendo que, como os condôminos optaram por demolir as sacadas que sobraram, não seria necessário levar a questão adiante - ponto no qual o coronel discorda.
O chefe-adjunto do Departamento de Engenharia Civil, da UEM, Rafael Alves de Souza, levantou outra possibilidade: o desabamento pode ter sido ocasionado por problemas somente na marquise do 15º andar.
"As sacadas podiam estar em boas condições, mas, quando a marquise caiu, levou-as junto", justificou.
Ele acrescenta que, quando acontece um acidente desse tipo, muitos fatores podem estar envolvidos, desde problemas durante a execução da obra, à negligência de quem ignora os indícios que aparecem.
"Um edifício é como um corpo humano", compara.
"Se aparecem infiltrações e rachaduras, algo está errado."
O coronel ressaltou que, se o desabamento tivesse acontecido durante o dia, a probabilidade de haver vítimas seria maior.
Ele também deu destaque a outra constatação: em um estudo realizado em parceria com a UEM, observou-se que muitas marquises no município se encontram em condições inadequadas.
A engenheira Eunice Aparecida, da Prefeitura de Maringá, acrescentou que, no município, muitas marquises são construídas para serem usadas como sacadas.
"Não pode", garantiu.
Segundo o chefe do Departamento de Engenharia Civil, da UEM, as marquises servem, basicamente, para proteger os pedestres da chuva e dos raios solares e que, ao contrário das sacadas, não são feitas para as pessoas andarem em cima.
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Fernando Martins
08/11/2008 às 17:59 - Incrível o engenheiro responsável pela construção do edificio dar uma reposta como esta, de que "não seria necessário levar o caso adiante já que os condôminos optaram por demolir as sacadas restantes". Quem não deve não teme. O caso deve sim ser levado às últimas consequências, e o culpado pelo desabamento deve ser divulgado para a população, seja ele a infiltração existente ou descaso humano. Se o projeto previa uma sacada menor, não poderia nunca ter sido alterado sem as devidas correções (cálculos estruturais).
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