Animais abandonados desafiam pet shops
Deixar os animais diante de lojas especializadas: recurso para não pagar hospedagem cria problema para os proprietários
No momento em que chegava para abrir o Pet Shop Juninho, no Residencial Tuiuti, na manhã desta quinta-feira, o comerciante Edjalma Inácio Gallassini deparou com uma caixa com cinco filhotes de cachorro sem raça definida.
A princípio, irritou-se, mas depois se consolou com a idéia de que essa é a sina das lojas que comercializam animais: durante a madrugada, pessoas que pretendem se livrar de ninhadas de animais, e não querem simplesmente soltá-los nas ruas, fazem a desova na porta de quem é do ramo.
O proprietário da Agro Paulista, na Avenida dos Palmares, no Jardim Liberdade, Aparecido Negrete de Garcia, está acostumado a encontrar ninhadas na hora de abrir a loja.
Em 15 anos no ramo, ele não passou sequer um mês sem receber uma ninhada como presente inesperado. Juninho também poderá se acostumar com as desovas.
A desta quinta-feira foi a segunda nesta semana e o estoque de filhotes aumentou em nove cãezinhos de raças misturadas.
"Nós cobramos uma pequena taxa de quem traz animais para doação, pois precisamos manter o bichinho com ração e remédios, além de cuidados, mas algumas pessoas usam de malandragem para não fazer a pequena contribuição", diz ele.
O que mais o chateia é a falta de consciência de algumas pessoas: "tem gente que deixa aí na porta filhotes que ainda estão mamando".
Isso significa trabalho e gasto dobrados, pois terá que alimentar os cãezinhos na mamadeira até que possam começar a comer ração esfarelada.
Negrete acha que pessoas que deixam caixas de filhotes não têm consciência, pois o que é cobrado pelas lojas de animais pelos cuidados até a adoção é mínimo.
Nos 15 anos em que trabalha com pet shop, ele já fez a doação de mais de quatro mil cães e cerca de dois mil gatos e diz se sentir feliz quando alguém lhe mostra animais adultos, saudáveis e bem cuidados doados por sua loja.
Maringá ainda não realizou um censo da população animal, mas dados da Secretaria Municipal da Saúde mostram que a cidade tem pelo menos um cachorro para cada quatro pessoas, quando o ideal recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de um para cada dez moradores.
Uma cadela e os descendentes podem gerar em torno de 24 filhotes em apenas um ano.
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