Produtor calcula perdas
Apesar da chuva que marcou o início do ano, o produtor rural Osvaldo Tezolin não tem o que comemorar. Ao caminhar pelas lavouras de milho e de soja, localizadas na Gleba Pingüim, em Maringá, ele contabiliza o prejuízo financeiro.
O plantio nos 29 alqueires custaram R$ 137 mil e ele estima receber aproximadamente R$ 90 mil com a venda da colheita.
Os indícios que sustentam a previsão são o mal desenvolvimento da soja e do milho nas propriedades rurais. Tudo por causa da falta de chuva. Algumas plantas de soja têm 15 vagens, quando, neste período, deveriam ter 40.
As espigas de milho trazem também poucos grãos. “No fim do ano passado, cheguei a ficar 39 dias com apenas 4 milímetros de chuva”, conta Tezolin. “É muito pouco.”
O agricultor explica que, desde que o milho e a soja foram plantados, respectivamente nos meses de setembro e outubro, a chuva deveria ser regular para atender às expectativas.
Até mesmo quando choveu, foi de maneira irregular. Tezolin exemplifica dizendo que, no início deste ano, choveu 80 mm na propriedade dele, e um pouco adiante, calculou-se 110 mm.
“Esperava colher umas 350 sacas de milho por alqueire, mas será, no máximo, 180”, lamenta. “Quanto ao soja, queria chegar a 130, mas não vai passar de 50.”
Diante disso, restará ao produtor renegociar a dívida com os bancos, já que o retorno financeiro não cobrirá nem sequer os custos de produção. Dos R$ 137 mil utilizados, R$ 120 mil foram emprestados.
A situação é crítica para Tezolin, porque a dívida se somará a outras feitas nos últimos anos, por causa da produção abaixo do esperado. “Terei de vender alguma propriedade para quitar a dívida.”
Assim como Tezolin, o agricultor Antonio Col, cujas propriedades ficam nos municípios de Nova Cantu e Pitanga, também está apreensivo com os resultados da colheita.
Para os dois, não existe a possibilidade de trocar de cultura, porque o clima de Maringá e região é adequado somente para o milho e para a soja.
"Em 2003 e 2004, a falta de chuva provocou grande perda nas lavouras”, diz Col. “Depois, melhorou um pouco e, agora, voltaremos a perder dinheiro.”
Para Tezolin, o agricultor corre sempre o risco de prejuízo. “A única forma de mudar isso é instituindo um seguro agrícola, por parte do governo”, afirma.
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