A Santa Casa de Cianorte
A Santa Casa de Cianorte é uma fundação – instituição privada sem fins lucrativos. Deve ser administrada sob a supervisão do Conselho Diretor e fiscalizada pelo Conselho Fiscal. Também é velada pelo Ministério Público, que fiscaliza seu funcionamento e aprova as contas.
E tem benefícios fiscais. Atualmente, a Santa Casa enfrenta vários problemas. Eles já estavam assinalados desde a sua instituição, em 1992. À época, o Dr. Jorge Abou Nabhan não procedeu a doação do imóvel onde a Fundação funcionaria, mas fez um comodato.
Como forma de obter lucro sobre a Fundação, realizou contrato de concessão da administração com a sua empresa Plescht e Nabhan Ltda., que administraria o hospital e receberia como pagamento 17% do arrecadado com atendimento particular.
A Fundação se autoadministrava, porém ainda remunerava a Plescht e Nabhan. Pior: nos cálculos destes 17% foram incluídos recursos públicos provenientes de convênios com os municípios.
Todo este tempo, a Fundação manteve-se com recursos públicos. Houveram construções e reformas, com dinheiro público, sobre patrimônio particular.
Preocupada com a ausência de imobilização patrimonial, com a Fundação ser administrada por pessoa que tirava vantagens indevidas, contas irregulares, inoperância dos Conselhos, falta de licença sanitária e falhas de atendimento, a Promotoria de Justiça iniciou, em 2005, comunicações e reuniões com o Conselho Diretor e com o Dr. Jorge para solucionar os problemas.
Todavia, os problemas se agravaram, pois o Dr. Jorge rescindiu os contratos de concessão e de comodato e realizou contrato de aluguel de R$ 41 mil. Não bastasse isto, fez com que fosse reconhecida pela Fundação uma dívida inexistente de R$ 1 milhão, que esta teria com a sua empresa, e que o Diretor receberia R$ 8 mil para exercer suas funções.
A última gota foi a utilização de água de poço artesiano em equipamento de hemodiálise da UTI sem autorização da vigilância sanitária, que gerou reiteradas interrupções no procedimento, com riscos para os pacientes.
Tudo isto o Dr. Jorge afirmando que o poço não estava sendo utilizado. Frente a esta situação, foi ingressado em 2008 com ação de intervenção. O Dr. Jorge foi afastado da Presidência, bem como o Coordenador-Geral, Dr. Evandro Terra Peixoto, sendo nomeado um interventor. A Curadoria propôs ação para que a Plescht e Nabhan devolva valores irregularmente recebidos.
Durante a intervenção surgiram suspeitas de outras irregularidades, dentre as quais o superfaturamento de DPVAT e desvio de finalidade de verbas públicas. Em face disso e à colisão de interesses, uma terceira ação foi proposta, para afastamento do Dr. Jorge do Conselho.
Foram requisitadas instaurações de inquéritos policiais junto à Delegacia de Polícia de Cianorte. As ações judiciais encontram-se em andamento, porém, a intervenção é provisória.
Daí a necessidade se encontrar mecanismos para que a Fundação sobreviva de forma independente do dono do imóvel onde se encontra. Objetiva-se colocar no Conselho Diretor representantes dos Conselhos Municipais da 13ª Regional de Saúde, que escolherão um administrador independente.
Porém, vários conselheiros não têm comprido com seus deveres e comparecido às reuniões para as reformas estatutárias, o que impede a realização das mesmas e o término da intervenção.
Com a intervenção já se conseguiu sanear diversas irregularidades. Porém, com o saneamento, ocorreu uma redução de recursos do DPVAT. Houve também a paralisação de pagamento do DPVAT aos hospitais que atendem ao SUS (MP 451).A Santa Casa possui déficit mensal de R$ 175.185,49.
O hospital realizou, de 2005 a 2008 (antes da intervenção), empréstimos de R$ 6.052.994,63, dos quais pagou R$ 4.717.621,87. Somente de juros sobre empréstimos foram pagos R$ 766.099,72. Em junho de 2009, o Dr. Jorge propôs ação de despejo, o que poderá causar a paralisação das atividades da Santa Casa.
O interventor esteve no Ministério da Saúde, conversou com senadores, deputados federais e estaduais, com o Secretário de Saúde e o Superintendente do SUS no PR e com prefeitos da região.
Aguarda-se esforços políticos e prossegue-se na busca de soluções para equilibrar as contas. O MP-PR tem realizado sua função de velar e propor ações judiciais para que a Fundação cumpra a sua função.
A Justiça, por meio do interventor, tem realizado sua função. Agora se espera que o poder público atenda a demanda da saúde da população de Cianorte e região e auxilie na busca de soluções para o seu equilíbrio financeiro.
-
Mauricio Aparecido Cavalines
20/07/2009 às 18:49 - Cianorte não pode ficar sem a Santa Casa, que sempre funcionou muito bem, até melhor que o outro hospital de Cianorte e nessa quem vai acabar prejudicado é o cidadão cianortense, porque a corda sempre arrebenta do lado mais fraco (as pessoas mais necessitadas). Esse impasse será resolvido só se os políticos fizerem a parte deles em defesa da população, é para isso que ganham seus salários e outras regalias e benefícios. Nossa cidade tem o título de capital do vestuário, então essas empresas poderiam ser parceiras da Santa Casa, ajudando com uma pequena quantia. Também dá para transformar a Santa Casa em uma ONG ou desmembrar a Santa Casa em um instituto e pôr ações à venda, transformando-a em um bem comum.
- Leia mais notícias de Opinião
- 12/03/2010 - Artigo: Ah, o IPVA?
- 11/03/2010 - Artigo: Uma experiência de ‘economia de comunhão’
- 10/03/2010 - Artigo: ‘Big Brother’ na escola
- 09/03/2010 - Artigo: Dengue e Zika vírus: comigo não
- 07/03/2010 - Artigo: Economia e vida
- 06/03/2010 - Artigo: Polícia precisa ser eficaz e não violenta
- 05/03/2010 - Artigo: A lógica de uma cidade para os carros
- 04/03/2010 - Artigo: Economia de comunhão: um testemunho real
- 03/03/2010 - Artigo: Maringá a Cianorte: corredor da moda
- 02/03/2010 - Artigo: Perigos da safra
- 28/02/2010 - Artigo: Sucessor dos Apóstolos
- 27/02/2010 - Artigo: As duas faces da moeda
- 26/02/2010 - Artigo: Na contramão da função social da cidade
- 25/02/2010 - Caixa Postal: Nem carne e nem peixe
- 24/02/2010 - Artigo: Esquerda e Aliança Conservadora no Paraná
- 23/02/2010 - Artigo: Aspectos relevantes da terceirização
- 21/02/2010 - Artigo: Jejum e esmola
- 20/02/2010 - Artigo: O consumo excessivo de álcool
- 19/02/2010 - Artigo: Entrave ambiental? Que nada
- 18/02/2010 - Artigo: Economia e vida: inclusão e solidariedade
- 12/02/2010 - Artigo: Colégios estaduais, uma triste realidade
- 11/02/2010 - Artigo: Dia Mundial do Doente
- 10/02/2010 - Artigo: O maringaense ‘pé de chinelo”
- 09/02/2010 - Artigo: É a vez dos mercados emergentes
- 07/02/2010 - Artigo: Ao Deus desconhecido
Shopping
-
-
Economia
Crédito para habitação dobra no primeiro bimestre, diz Caixa
-
-
Condomínio-Clube
Natureza perto de casa e dentro da cidade
-
Encontre seu imóvel em mais de 3029 ofertas
OFERTAS EM DESTAQUE













