Não é hora de desregulamentar profissões
A decisão de desregulamentar a profissão de jornalista pelo Supremo Tribunal Federal, no dia 17 de junho, é retrocesso, equívoco e risco de primeira grandeza. É um ranço ditatorial intoxicado por idéias filosoficamente contestadas e conceitos com posições ideológicas. O tiro pode sair pela culatra.
Jornalismo não é panacéia que dá jeito para corrigir problemas de natureza política. Educação, comunicação, cidadania, ética e política deveriam atuar em paralelo, alicerçando princípios à cidadania responsável. Mas não é isso que acontece no Brasil.
Bem da verdade, ninguém esclareceu e nem os oito ministros do STF foram capazes de expor a real verdade à opinião pública sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo.
De mais a mais, deve-se discutir largamente se é competência do STF desregulamentar profissões. Imagine você acabar com a obrigatoriedade de curso superior para exercer advocacia, fonoaudiologia, fisioterapia, engenharia, arquitetura e tantas outras especialidades.
Jornalismo é atividade humana da maior importância ética, social, econômica, política e cultural. Começa a ser aprofundado com o aprendizado em Faculdades e exercido em período de estágio. O lado técnico implica conhecimentos em ação, em movimento.
O desenvolvimento e maturidade do jornalista se processam no treinamento e convívio entre colegas, professores e profissionais. Processos, métodos e técnicas de comunicação universal são alargados e assimilados na proporção da maturidade e compreensão das reais necessidades das pessoas. De certo modo, a arte de comunicar por meio do jornal, rádio, TV, internet e outros meios é a arte de educar a própria sociedade.
A comunicação de massa influencia além do que é escrito e dito, pelo controle que ela exerce sobre a mente e as decisões das pessoas. A efetividade da comunicação depende não só do conteúdo e dos meios de transmissão da mensagem, mas da capacidade, habilidade e sensibilidade dos profissionais que a transmite e do grau de compreensão da audiência.
Durante o curso superior, o acadêmico de jornalismo aprende a administrar a informação que circula ou está no ar. É capacitado a vislumbrar fatos econômicos, políticos e educacionais com efeitos imediatos e futuros para o bem da humanidade.
Hoje, jornalismo é o maior ativo em nível de tomada de decisões nas esferas de finanças, negócios, administração, marketing, recursos humanos, por exemplo.
A comunicação social reflete a personalidade e o caráter da sociedade, amplia relações de confiança com os públicos envolvidos nos processos, beneficia e faz crescer harmonicamente pessoas, famílias, estado, escolas, igrejas, organizações em geral.
Por tudo isso, espera-se que o STF repense o equívoco que cometeu, volte atrás e transfira para o futuro a discussão sobre a desregulamentação do jornalismo e de outras profissões.
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