Há solução para o trânsito de Maringá?
A cada dia, o problema com o trânsito de Maringá se agrava. O que podemos fazer para buscar uma solução plausível a este problema que poderá afetar a qualidade de vida de nossa cidade? Alguns parâmetros talvez nos ajudem.
A política pública relacionada ao trânsito na cidade de Florianópolis, por exemplo, que tem uma população estimada de 600 mil habitantes com excelente qualidade de vida, se mostra eficaz.
A frota de veículos da cidade atingiu o marco de um carro para três pessoas aproximadamente e os congestionamentos já mostram que a proporção de veículos está acima da capacidade de ruas e estradas.
Contudo, raramente encontramos carros circulando sem nenhuma condição de funcionamento, veículos sem equipamentos de segurança, carros tentando estacionar em filas duplas e/ou calçadas, pois existe uma guarda municipal equipada, de fácil mobilidade, preparada, que realiza ações ostensivas e permanentes de fiscalização e de educação no trânsito.
Ao mesmo tempo, estão sendo planejados e desenvolvidos projetos de curto e médio prazo para atender as necessidades, de modo a impedir que se instale o caos na cidade.
Em Maringá, com uma população aproximada de 320 mil habitantes, estima-se que a frota já tenha alcançado a proporção de um carro para 1,6 habitantes, deixando o trânsito caótico e contribuindo ainda mais com a emissão de gases poluentes, o que afeta diretamente a população, provoca doenças respiratórias e psíquicas associadas ao estresse e à fadiga. Então, isto é qualidade de vida?
Não precisamos trafegar por muito tempo pelas vias públicas de nossa cidade que facilmente encontramos: carros circulando sem nenhuma condição de funcionamento (mal conservados), pondo em risco os outros condutores; veículos com luzes traseiras e de freio queimadas; veículos sem os equipamentos de segurança básicos, como os cintos de segurança; carros estacionados em fila dupla; condutores imprudentes e que desrespeitam as vagas exclusivas para os deficientes; caçambas de entulhos em lugares impróprios; blitze de estudantes nas vias públicas, associadas muitas vezes à presença de bebidas alcoólicas e som alto, impedindo a circulação dos carros e cerceando o direito de ir e vir; condutores sem nenhuma consciência do coletivo e ambiental jogando lixos pela janela dos seus veículos, e nada acontece.
Existe um outro paradoxo: os semáforos que são uma inovação desenvolvida em Maringá, com o objetivo de auxiliar o trânsito, atualmente prejudicam e causam lentidão pela falta de sincronismo. Reportagens a respeito do trânsito mostram que na hora do rush se perde cerca de 30 minutos para trafegar pelas ruas centrais da cidade.
Não podemos esquecer ainda o fácil acesso na compra de veículos e motos, em decorrência da facilidade ao crédito e dos incentivos governamentais para indústria automobilística, acelerando o caos. Já em outros países, existe um estímulo e acessibilidade das pessoas para a utilização dos meios de transportes coletivos.
O que podemos fazer, mediante a esta inércia?
Cabe a nós, cidadãos, cobrarmos dos órgãos responsáveis uma maior atenção ao cumprimento do Código de Trânsito Brasileiro, que no seu artigo 24°, menciona que é de competência dos órgãos e entidades executivos de trânsito dos municípios, em conjunto com os órgãos de polícia, estabelecer uma fiscalização ostensiva de trânsito.
Além disso, não seria o caso dos centros de formação de condutores reforçarem o conteúdo da disciplina de ética, cidadania, questões ambientais e urbanas?
Portanto, de um lado necessitamos que os responsáveis continuem os seus trabalhos, mas de forma mais enérgica e empreendedora, através de um policiamento mais ostensivo de fiscalização e de educação no trânsito; e de outro, formar cidadãos muito mais conscientes, educados e que tenham respeito e apreço com relação ao bem estar da coletividade, a fim de continuar (se é possível) com o título de cidade com alta qualidade de vida.
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