O universo jovem de Tânia Martinelli
Foram 18 anos de dedicação à educação de crianças e adolescentes, lecionando língua portuguesa na rede pública de Americana (SP). Há quatro anos afastada das salas de aula, Tânia Alexandre Martinelli ainda se volta-se para o universo infanto-juvenil, mas como escritora de livros que abordam situações da rotina jovem com bom humor, lições de cidadania e respeito ao próximo.
“Identifico-me com o público adolescente. Desde quando dava aulas já gostava de literatura juvenil”, explica Tânia com a propriedade de quem já escreveu 20 obras deste gênero, entre elas "O que é que eu posso fazer?", um dos livros escolhidos por O Diário na Escola para premiar alunos participantes do 2º Concurso de Frases sobre o Trânsito.
Cada uma de suas histórias é escrita no silêncio de seu escritório e levam de seis meses a um ano para ficarem prontas. Os temas são os mais variados, como medo em "Fantasma equilibrista", bulling em "Perseguição" e padrões de beleza em "Quero ser belo".
“No livro ‘A rua é meu quintal’ trato das vivências de crianças que deixam a escola para irem para a rua, o que já presenciei enquanto educadora”, conta. Confira a entrevista que a autora concedeu a O Diário na Escola.
O Diário na Escola: O que te motivou a ser escritora?
Tânia Martinelli: Quando escolhi cursar Letras, também pensei em fazer Jornalismo, mas queria estudar literatura e automaticamente me tornei professora. Ser escritora, para mim estava muito longe, mas confesso que se não fosse professora não teria me tornado escritora, pois não teria contato com o público jovem. No começo, escrevia poesia e crônicas, até que decidi escrever meu primeiro livro, "Violetas", em 1998 e não parei mais.
Como surge inspiração para escrever sobre bulling, como no livro Perseguição" ou mesmo "Procura-se um planeta sustentável", que trata do meio ambiente?
Hoje os livros têm relação com a vida dos jovens, quero que minhas obras sejam indicadas pela escola, como já tem acontecido. A abordagem do bulling, por exemplo, foi sugestão de uma professora com quem conversei em uma das palestras que fiz sobre gravidez na adolescência. Li diversos livros sobre o assunto, conversei com psicólogos e iniciei o trabalho. Quando resolvo escrever sobre um assunto é porque ele mexeu comigo.
Cada livro tem um objetivo específico a ser atingindo?
Quando trabalho um assunto, como no livro "Eu quero ser belo" sobre padrões de beleza, a intenção não é moralizar e sim fazer com que os leitores reflitam sobre o assunto. Minha vontade é trazer olhares diferentes, emoção, afinal livro bom tem que emocionar.
O que mais te fascina em ser escritora?
Escrever me dá um prazer imenso, principalmente quando percebo que a escrita fluiu, quando vejo que a ideia deu certo e as pessoas reconheceram meu trabalho. Em uma conversa com adolescentes infratores, descobri que eles já tinham lido o livro “O que é que eu posso fazer?”, portanto não temos noção de quem está lendo o que escrevo, isso me encanta.
Alguma nova literatura está por vir?
Em outubro, lançamos "Os bilhetes secretos", que aborda a rivalidade entre grupos de meninas. A avó de uma delas desenvolveu Alzheimer e o livro mostra como lidar com isso, é muito comovente. Em janeiro sai "Tudo que mais queria", sobre a solidão juvenil e a reflexão sobre o "ter tudo".
Descubra um pouco mais sobre as obras dessa autora acessando http://taniamartinelli.blogspot.com/.
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