O velho e o novo liberal
Na política brasileira desde o tempo da Arena e do MDB sempre existiram dois grupos de políticos: os do sim e os do não. Dependendo de quem estivesse no poder essa relação pode ser inversa, ou seja: os do não e os do sim. Tudo isso reflete, exceto por aqueles que faltam às sessões, omitem-se ou se abstêm, que há somente dois tipos de parlamentar: os que votam com o governo e os que votam contra o governo.
Por outro lado, depois da época dos velhos partidos da situação e da oposição, o discurso de candidatos e governantes passa a ser balizado pela retórica do neoliberal. Ou seja: antes era assim, agora é assado. Hoje, em especial no Paraná, fala-se muito nesse aspecto e é de se duvidar se a população, ou pelo menos a maioria dela, saiba o que é o neoliberalismo.
Na verdade o povo está saturado desse falatório comparativo, fútil e inútil. O que realmente é preciso são ações públicas rápidas e com verdades nos discursos.
Quando se aborda efeitos comparativos entre regimes e tipos de governos, cultua-se o passado, esconde-se buracos e se prorroga os problemas que mais precisam ser resolvidos: a tarifa do pedágio; as morosas reintegrações de posse em propriedades rurais produtivas; a melhoria de infraestrutura aeroportuária; a reposição do efetivo de servidores públicos; a necessidade de modelos educacionais sérios e o combate a criminalidade, sobretudo a destruidora ação das drogas sobre as famílias.
A partir da obediência da Lei de Responsabilidade Fiscal todo esse divisor (nós e eles) passou a ser desnecessário. Hoje, o que se espera é gestão com respeito à democracia, responsabilidade e cumprimento das leis, com controle atuante, rigoroso, eficaz e seguro do Poder Judiciário.
Apesar de serem do mesmo partido com a mesma tônica repetitiva nos discursos do “velho MDB de guerra”, a história do Paraná poderá mostrar um viés político muito interessante a partir de abril. Pelo menos é o que se espera.
O bom gestor tem seus secretários escolhidos tecnicamente e a eles permite a autonomia de falar e explicar o que é necessário fazer, não somente o que o governador quer ouvir. Muito se espera de um filho do Paraná para governar esse espetacular Estado. Humildade, audição e sensibilidade são as melhores linhas para escrever a verdadeira e inclusiva “Carta do Povo”. Fora desse eixo é enganação e/ou hipocrisia.
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