O Diário do Norte do Paraná
http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/235403 - Acessado em: 19/03/2010 às 11:55:24

Opinião  |  Artigo  | Criado 07/02/2010 02h00
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Ao Deus desconhecido

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Dom Jaime Luiz Coelho
1º Arcebispo de Maringá

 

“Atenas - a alma da Grécia -, um recinto sagrado cheio de templos, altares, estátuas, pórticos, imagens de madeira, bronze, mármore, ouro, prata e marfim”, diz Caius Petronius Arbiter (morreu cerca de 66 d.C.), que ali “era mais fácil encontrar um deus do que um homem”.

Além de ser a efetiva capital religiosa do mundo, era, também, o seu centro intelectual e artístico. Pitágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Cleanto, todos procuravam, como afirma Platão, essa verdade absoluta, que é uma e a mesma em toda a parte, e que se volta para aquele SER que é todo sabedoria, poder e bondade.

Certamente eles pressentiram e anteciparam a célebre definição da palavra “católico”, que Platão e depois Aristóteles foram os primeiros a empregar (Ética a Nicômaco, 1,7) e que São Vicente de Lérins, francês, cerca do ano 450, definiu: “Quod semprem, quod ubique, quod ab omnibus”. Isto é: “o que foi criado desde sempre, em toda a parte e por todos”.

Em Atenas encontra-se a Acrópole, que domina a cidade com o Parthenon, o templo de Palas Atena, com a estátua de ouro e marfim da deusa Virgem, obra prima de Fídias. Era ela o símbolo da Razão, filha imaculada de Zeus, que brotara da cabeça do pai dos deuses.

O Apóstolo Paulo chega a Atenas. Deslumbra-se com o espetáculo da Acrópole, mas foi para ele um verdadeiro martírio, educado inteiramente no monoteísmo e nas Sagradas Escrituras, a visão de todos esses altares e santuários.

Realmente, como disse Petrônio, “em Atenas era mais fácil encontrar um deus do que um homem”. A mitologia grega era exuberante. Paulo procurava os pagãos e os filósofos a fim de conhecer as suas ideias religiosas, buscando a oportunidade de lhes ensinar a verdade que lhe queimava a alma.

Na esquina de uma rua viu um pequeno altar com a inscrição: “Agnóstes théos: Ao deus desconhecido”, o que se encontrava, também, como se sabe hoje, em outras cidades. Em Pérgamo, nas escavações de 1909, encontraram-se altares com inscrições dedicadas aos deus desconhecidos: “Theois agnóstois Kapiton Dadoukos: Aos deuses desconhecidos - Capiton, Portador de tochas”.

Os atenienses, como outros povos, temerosos de não cultuar um deus que eles não conheciam, construíram-lhe, também, um altar. Já no tempo de Sócrates, a consciência religiosa dos gregos, sobretudo dos filósofos estóicos, tinha chegado à conclusão de que os deuses populares conhecidos não passavam de disfarces ou máscaras de um grande deus desconhecido e sem nome.

Em Trôade, o grito do macedônio helenista - o clamor pelo “Deus absconditus” (Deus oculto) - fizera Paulo de Tarso alegrar-se na sua esperança de se que buscava o Deus verdadeiro.

Platão descobrira a existência desse SER, e Aristóteles descobrira os seus vestígios no mundo exterior, com os seus cinco argumentos que provam a existência de Deus, e que Santo Tomás de Aquino os “cristianizou” na Suma Theológica.

Diante da mostra da mitologia grega, Paulo de Tarso vai ao Areópago e diz aos circunstantes: “Atenienses, louvo a vossa religiosidade. Percorrendo os vossos lugares sagrados encontrei um altar com esta inscrição: “AO DEUS DESCONHECIDO”. Pois bem.

É este DEUS que vós não conheceis, que vos venho anunciar. É o Deus que fez o céu e a terra... Não habita em templos construídos por homens... Não está longe de nenhum de nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos... Deus não é semelhante à prata, ao ouro ou pedra modelada pelo engenho e artesoamento do homem. É o Criador do céu e da terra. É o Senhor do mundo universo” (Atos 17).

Quantos desconhecem e até ignoram a existência de Deus. Numa Faculdade de Medicina, aqui no Brasil, o professor dava aos seus alunos uma aula de dissecação de cadáver. Em dado momento ele para e diz aos alunos: “Que maravilha o corpo humano. Estamos aqui apalpando com nossas mãos um cadáver, que já teve vida. Já foi uma pessoa humana. Isto é obra do acaso”?

E levou seus alunos à descoberta de Deus, o Criador do mundo. Anos mais tarde, um daqueles antigos alunos - que dizia não acreditar em Deus, já médico experiente - escreveu um artigo com este título: “Naquele dia deixei de ser ateu”.
O “DEUS DESCONHECIDO” é por muitos, infelizmente, ainda hoje, uma realidade: vivem como se Deus não existisse!

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